Resumo
- Ao mudar o status do PCC e do CV de cartéis de drogas para organizações terroristas, os EUA ativam leis financeiras globais severas contra quem fizer negócios com eles, mesmo sem saber.
- Para evitar multas americanas, tradings, bancos e fundos do mercado financeiro vão endurecer as regras, exigindo auditorias profundas para liberar crédito e comprar a safra.
- O problema: como as facções abastecem empresas legítimas de combustíveis e insumos agrícolas, o produtor honesto pode ter suas contas travadas e sua produção rejeitada por ter feito negócios com o crime organizado, ainda que sem saber.
- O produtor poderá ser penalizado também por atrasos e custos de frete mais altos quando os portos estrangeiros aumentarem a fiscalização sobre cargas brasileiras, porque o crime já usou contêineres do agro para o envio de drogas ao exterior .
- A transparência contábil e a checagem rigorosa de fornecedores passam a ser regras de sobrevivência para o produtor não ser sufocado financeiramente.
Até pouco tempo, o PCC e o CV eram vistos lá fora “apenas” como grandes cartéis de drogas. Agora, os EUA os carimbaram como organizações terroristas. E isso tem relação direta com o agro brasileiro.
A partir de agora, qualquer empresa ou banco no mundo que fizer negócios com um grupo terrorista comete um crime gravíssimo, segundo o governo estadounidense. Isso vale inclusive para quem não sabia que estava fazendo negócio com uma dessas facções.
E este é um risco real. As facções criminosas atuam no agronegócio nacional. Elas descobriram que nosso setor movimenta bilhões e começaram a comprar e criar empresas legítimas para lavar dinheiro. Eles entraram no mercado de combustíveis, fertilizantes e defensivos agrícolas. Além disso, abastecem com produtos roubados ou contrabandeados inúmeros outros negócios legítimos.
Ou seja: se você comprar um lote de adubo ou defensivo de uma distribuidora que pertence a um “laranja” do crime ou que comprou produtos oriundos de roubo ou contrabando promovido por essas facções, sua fazenda entra no radar. Perante o banco ou a trading (como Cargill ou Bunge), sua produção ficou “contaminada” porque você colocou dinheiro no caixa de uma rede ligada ao terrorismo. O resultado?
Como o dólar domina o comércio mundial, bancos e tradings preferem cortar o cliente do que correr o risco de levar uma multa bilionária dos americanos.
Não se trata de ter medo de uma invasão ou de a polícia fechar a fazenda. O risco é o sufocamento financeiro: ficar sem crédito ou sem conseguir vender a safra.
Os bancos e as tradings não vão investigar o crime organizado; eles vão investigar os próprios clientes para se proteger. No caso dos bancos, isso significa que, para conseguir financiamento, custeio, ou emitir um CPR/CRA, o produtor passará por uma lupa muito mais severa. O banco vai querer saber a origem de cada centavo que entra na sua conta.
E se o sistema do banco pegar qualquer movimentação estranha ou transação com alguma empresa suspeita, a conta é travada na hora. Eles preferem errar pelo excesso de zelo do que ser acusados de financiar terrorismo.
Como as facções já usaram contêineres de soja, milho e carne para esconder droga para o exterior, a fiscalização lá fora vai apertar. Cargas vindas do Brasil serão tratadas com o mesmo nível de suspeita de países do Oriente Médio ou da Colômbia dos anos 90.
Isso significa navios parados, mais tempo de vistoria nos portos da Europa e dos EUA, aumento no custo do frete e do seguro da carga. No fim do dia, essa conta é repassada para trás e sobra para o produtor.
Resumo da ópera:
A partir de agora, comprar insumos sem nota fiscal, aceitar facilidades de fornecedores desconhecidos ou ter furos na contabilidade da propriedade virou um risco de morte para o negócio. A transparência e a checagem rigorosa de quem você compra e para quem você vende viraram ferramentas de sobrevivência para não ter as portas do mercado global fechadas na sua cara.
Fonte: Canal Rural e agência de notícias

