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Alerta da OMM: Amazônia mais seca e novos recordes de calor até 2030

Alerta da OMM: Amazônia mais seca e novos recordes de calor até 2030Secas e calor aumentam chances de incêndios florestais. Foto: Agência Brasil

Centro-Oeste deve enfrentar calor acima da média em maio
Risco de El Niño forte ameaça superar marcas históricas
Previsão aponta chuva abaixo do normal no norte de MT nos próximos meses

Resumo 

  • O relatório da OMM e do Met Office projeta que a Amazônia enfrentará períodos mais secos entre 2026 e 2030, especialmente nos meses de maio a setembro.
  •  Há 86% de chance de que a Terra estabeleça um novo recorde de temperatura anual até 2030, superando o ano de 2024. A chegada de um novo El Niño no fim deste ano pode impulsionar esse recorde já em 2027.
  • As temperaturas globais devem flutuar entre 1,3°C e 1,9°C acima dos níveis pré-industriais (1850–1900), embora seja improvável que passem de 2°C nos próximos cinco anos.
  • A combinação de forte estiagem e calor extremo deve acelerar os incêndios florestais e, consequentemente, o desmatamento na região amazônica.
  • O Ártico continuará aquecendo em ritmo acelerado — cerca de 3,5 vezes mais rápido que a média global —, provocando maior derretimento do gelo marinho.

A Amazônia enfrentará um período de estiagem mais severo nos próximos anos, enquanto o planeta se prepara para registrar novos recordes de temperatura. O alerta consta no novo relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM), desenvolvido em parceria com o serviço meteorológico do Reino Unido, o Met Office.

De acordo com o estudo, as projeções climáticas para o intervalo entre maio e setembro indicam secas persistentes sobre a região amazônica. Além disso, os cientistas apontam que há 86% de probabilidade de que pelo menos um dos anos até 2030 desbanque 2024 como o ano mais quente já registrado na história da Terra.

As estimativas apontam que a temperatura média global próxima à superfície deve oscilar entre 1,3°C e 1,9°C acima dos níveis registrados na era pré-industrial (entre 1850 e 1900). Apesar da tendência de forte aquecimento, os especialistas consideram extremamente improvável que o planeta rompa a barreira dos 2°C de aquecimento nos próximos cinco anos.

Leon Hermanson, principal autor do estudo, destaca que os modelos indicam o retorno e a formação do fenômeno El Niño já no final deste ano. Esse aquecimento das águas do Oceano Pacífico deve atuar como um combustível para o clima, elevando substancialmente as chances de um recorde global de calor em 2027.

O ciclo de incêndios na Amazônia

O relatório associa diretamente os períodos de seca prolongada e o calor escaldante ao aumento expressivo dos incêndios florestais. Esse cenário cria um ciclo destrutivo, já que o fogo descontrolado impulsiona o avanço do desmatamento na Amazônia.

De acordo com os pesquisadores, essa gangorra climática — aumento de chuvas nas altas latitudes e nos trópicos combinado à seca no Hemisfério Sul — é o desenho clássico dos efeitos esperados pelo aquecimento global.

Na outra extremidade do planeta, o Ártico segue apresentando o cenário de aquecimento mais acelerado do globo.

Nos próximos cinco invernos do Hemisfério Norte, as temperaturas na região devem registrar uma alta de 2,8°C acima da média recente (1991–2020). Esse ritmo de aquecimento é 3,5 vezes superior à anomalia térmica prevista para o restante do planeta, o que deve provocar novas e severas reduções na cobertura de gelo marinho nos mares de Barents, Bering e Okhotsk até 2035.