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Sem pressionar inflação, agro impulsiona economia no país

Sem pressionar inflação, agro impulsiona economia no paísCenário é positivo para produtor e consumidor. Foto: Pixabay

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O setor agropecuário dará impulso expressivo ao crescimento da economia nacional em 2023, especialmente no primeiro trimestre, ao mesmo tempo em que não deverá gerar pressões inflacionárias. Enquanto as projeções de expansão para o PIB em geral e para o agro neste ano têm subido, os preços agrícolas ao produtor têm recuado, evitando inflação mais elevada. As informações são do Valor Econômico.

Em 2023, o consenso de mercado para o crescimento do PIB se aproxima de 1%, com a agropecuária devendo avançar cerca de 7%. No ano passado, o PIB subiu 2,9%, apesar da queda de 1,7% do agro, afetado pela quebra de safras em meio a problemas climáticos e à elevação dos custos de produção, principalmente com as restrições no mercado de fertilizantes por causa da guerra na Ucrânia.

“Ajuda bastante o fato de o Brasil estar colhendo uma safra recorde de 155 milhões de toneladas de soja, aumento de 20% em relação ao ano passado”, disse ao jornal o economista Felipe Kotinda, do Santander.

De acordo com ele, o cenário positivo para o agro é desinflacionário. Nos índices de preços no atacado, soja e milho acumulam quedas ao redor de 20% em 12 meses.

“É um impacto significativo nos preços ao produtor. Isso é propagado e acaba chegando ao consumidor”, explicou.

Ao mesmo tempo, a exportação de commodities deve registrar níveis bastante elevados em 2023, especialmente por causa da demanda forte da China. Apesar do impulso às exportações, economistas dizem não ver restrições para a oferta interna, o que poderia barrar a contribuição positiva da agropecuária para a inflação.

“A atividade mais forte advinda do agro é desinflacionária, porque não vemos só preços domésticos caindo. Isso é muito importante”, ressaltou a economista Mirella Hirakawa, da AZ Quest.

Ela lembra que a produção de soja tem sido revisada para cima, sendo um dos grandes fatores que devem impulsionar o PIB no primeiro trimestre, além de ter contribuição importante para aliviar a inflação. Isso ajuda a contrabalançar as pressões dos preços administrados, como os dos combustíveis, afetados pela alta de impostos que haviam sido reduzidos no ano passado.