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Senado aprova projeto que moderniza seguro rural

Senado aprova projeto que moderniza seguro ruralProjeto agora vai para a sanção presidencial. Foto: Mapa

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Resumo

  • O Senado aprovou em 3 de setembro o PL 2.951/2024, que reformula o seguro rural, criando vantagens no crédito e regras para subsídios, mas a proposta ainda depende de sanção presidencial e regulamentação.
  • Produtores com seguro passam teoricamente a ter juros diferenciados, prazos distintos e prioridade no acesso a financiamentos e renegociações de dívidas.
  • O texto tenta viabilizar o chamado Fundo Catástrofe, previsto desde 2010 com participação de seguradoras, cooperativas e ativos da União, mas sem garantir histórico de aportes contínuos ou cronograma efetivo.
  • A execução obrigatória da subvenção ao seguro fica restrita aos montantes aprovados anualmente no Orçamento, mantendo a dependência de negociações políticas e fiscais.
  • O projeto estipula até 15 dias para análise (sem vistoria presencial) e 30 dias para pagamento após a documentação, embora a eficácia prática e o cumprimento por parte das seguradoras ainda gerem dúvidas.
  • Apólices poderão ser usadas como garantia em empréstimos com cláusulas específicas para os bancos, desde que as seguradoras cumpram critérios de solidez financeira que ainda precisam ser regulamentados.

 

O Senado aprovou nesta quinta-feira, 3/9, um projeto que altera as regras do seguro rural, criando prioridade de crédito e juros diferenciados para quem tiver apólice contratada. O texto (PL 2.951/2024) segue agora para sanção presidencial — ainda não é lei — e vários pontos centrais dependem de regulamentação futura do Poder Executivo, o que significa que boa parte do que muda na prática só vai ficar claro depois.

O que o texto prevê

Segundo o projeto, quem tiver crédito rural amparado por seguro passa a ter:

  • juros diferenciados;
  • prioridade de acesso ao crédito, inclusive em renegociação ou prorrogação de dívida;
  • prazos e limites de financiamento distintos dos praticados hoje.

O prêmio do seguro (valor pago pelo produtor) poderia ser parcialmente subsidiado por um fundo público, o “Fundo Catástrofe”. Esse fundo existe na lei desde 2010, mas nunca funcionou por falta de recursos contínuos e de regulamentação — e é justamente esse histórico que levanta a dúvida sobre se, desta vez, o fundo vai de fato sair do papel.

O projeto diz quem pode ser cotista (seguradoras, resseguradoras, cooperativas, empresas do agro) e permite compor o fundo com ações de estatais e imóveis da União, mas não garante volume mínimo de aporte nem cronograma.

Vale registrar também que a execução orçamentária da subvenção ao seguro rural, embora tratada como obrigatória no texto, fica limitada ao valor que constar no Orçamento aprovado pelo Congresso a cada ano — ou seja, sujeita a decisão política e disponibilidade fiscal, não a um valor fixo garantido em lei.

Prazos para indenização

Um ponto mais concreto: o projeto fixa prazo de até 15 dias para análise do pedido de indenização (quando não há vistoria presencial) e 30 dias para o pagamento, contados da entrega da documentação ou da vistoria. Hoje não há prazo padronizado em lei — mas resta saber se as seguradoras vão conseguir cumprir esses prazos na prática, algo que o texto do Senado não discute.

Seguro como garantia

O projeto permite que a apólice seja usada como garantia em operações de crédito, desde que o contrato inclua cláusulas específicas (como definir o banco como primeiro beneficiário em caso de sinistro). Mas essa possibilidade só vale para seguradoras que atendam a “requisitos mínimos de capacidade econômico-financeira” — critérios que ainda serão definidos em regulamento, portanto ainda não existem.

Fonte: Com informações da Agência Senado