HomeProdutividade

Boas práticas rendem soja recorde e renda extra em GO

Boas práticas rendem soja recorde e renda extra em GOFazenda Monte Alegre Pindaíbas. Foto: Produzindo Certo

Agricultura regenerativa ganha força no Cerrado com parceria
Pecuarista aumenta produção em 10x com estratégia regenerativa
Conheça 10 estratégias para lidar com alta de doenças nas lavouras

Resumo:

  • A Fazenda Monte Alegre Pindaíbas, em Rio Verde (GO), colheu 79,6 sacas de soja por hectare na safra 24/25, acima da média estadual de 4.122 kg/ha apurada pela Conab.
  • O produtor Fernando Pereira já aplicava a metodologia 5S e mantinha ações de reflorestamento e proteção de nascentes antes de qualquer suporte técnico externo.
  • A parceria começou por convite do Banco Santander e da Bayer, que identificaram que o manejo da propriedade já seguia práticas de responsabilidade socioambiental.
  • Com a certificação RTRS, a fazenda passou a vender créditos de sustentabilidade à Unilever, receita que entra por fora da comercialização do grão.
  • O Score Produzindo Certo da propriedade subiu de 82,6, em setembro de 2024, para 85,8 em agosto de 2025, período em que Pereira entrou no consórcio de agricultura regenerativa Reg.IA.

Por André Garcia

Com margens mais apertadas na produção de grãos e exigências crescentes por rastreabilidade, uma fazenda de Rio Verde (GO) encontrou nas práticas socioambientais uma fonte adicional de receita. Além de colher soja acima da média estadual, a Fazenda Monte Alegre Pindaíbas passou a vender créditos de sustentabilidade para a Unilever.

Como mostrou o Gigante 163, produtores rurais receberam R$ 2,32 milhões em 2025 com a venda de créditos de sustentabilidade de soja, milho e couro. A Monte Alegre está entre as propriedades que acessaram esse mercado e aparece no relatório da Produzindo Certo como exemplo de como transformar práticas em remuneração.

De acordo com levantamento, na safra 2024/25 foram colhidas 79,6 sacas de soja por hectare (ha), equivalentes a 4.776 quilos por hectare. A média de Goiás foi de 4.122 kg/ha, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

“A produtividade é uma consequência do trabalho como um todo”, explica o proprietário da fazenda, Fernando Pereira.

Na mesma safra, a fazenda comercializou créditos de sustentabilidade com a multinacional. A operação permite que a comprovação de conformidade legal, ambiental e trabalhista seja negociada separadamente do grão, criando uma segunda fonte de faturamento.

Manejo já existia antes do selo

Parte das práticas que permitiram chegar a esse mercado, porém, já fazia parte da rotina da propriedade havia anos.

Há duas décadas, a fazenda utiliza a metodologia 5S para organizar processos. O método japonês vem de cinco palavras que orientam as etapas de trabalho: separar o que é necessário, ordenar o que ficou, limpar, padronizar e manter a disciplina. Isso reduz desperdício de insumos e otimiza o tempo de operação.

Além disso, Pereira já mantinha ações de reflorestamento e proteção de nascentes.

“O trabalho é feito de forma integrada, não é um ponto só, é uma somatória. A gente trabalha visando o mínimo uso de defensivos e focando na rotação e implementação de novas culturas”, afirma.

De práticas no campo à certificação

O processo de adequação e documentação das práticas socioambientais começou há cerca de dez anos, a partir de um convite de parceiros como o Banco Santander e a Bayer, que identificaram que o manejo da propriedade já seguia práticas de responsabilidade socioambiental. O suporte técnico veio da Aliança da Terra, organização que posteriormente deu origem à Produzindo Certo.

A parceria permitiu acompanhar indicadores ambientais, sociais e produtivos da fazenda e adequar procedimentos às exigências de mercado. Entre setembro de 2024 e agosto de 2025, o Score Produzindo Certo da propriedade avançou de 82,6 para 85,8 pontos. O indicador varia de zero a 100 e considera critérios avaliados pela plataforma.

Há cerca de dois anos, Pereira também entrou no Reg.IA, consórcio de agricultura regenerativa criado pela empresa, onde adota plantas de cobertura, rotação de culturas e manejo do carbono do solo.

O processo levou à certificação RTRS (Round Table on Responsible Soy), voltada à produção responsável de soja. A partir do selo, a Fazenda Monte Alegre Pindaíbas passou a participar de um projeto com a Unilever para comercialização de créditos de sustentabilidade.

Saiba mais

O que é a certificação RTRS – É um padrão internacional voluntário de produção responsável de soja, com versão complementar para milho. A verificação é feita por auditoria independente e cobre mais de cem requisitos organizados em cinco princípios: cumprimento da legislação, condições de trabalho, relação com a comunidade, responsabilidade ambiental e boas práticas agrícolas. Na parte ambiental, a auditoria checa itens como Reserva Legal e APP, Cadastro Ambiental Rural (CAR), georreferenciamento, licenças e existência de embargos. O certificado vale cinco anos, com auditoria de acompanhamento a cada ano.

 

LEIA MAIS:

Boas práticas rendem R$ 2,3 milhões a grupo de produtores rurais

BID libera R$ 150 mi para soja regenerativa no Cerrado

Agricultura regenerativa vira gestão de risco para gigantes do setor

Gigante dos laticínios investe na agricultura regenerativa

Rentável, agricultura regenerativa precisa de capital para escalar

Agricultura regenerativa ganha força no Cerrado com parceria

Agricultura regenerativa vira ‘colchão de segurança’ para blindar safra

Veja como aplicar a agropecuária regenerativa na sua fazenda