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‘Super El Niño’ em curso: ameaça à saúde pública e à economia

‘Super El Niño’ em curso: ameaça à saúde pública e à economiaFenômeno pode reduzir em pelo menos 2% o PIB da América Latina: Embrapa

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Resumo

  • O “Super El Niño” pode causar até 451 mil mortes adicionais por calor extremo em todo o mundo até fevereiro de 2027, com impactos severos na região do Sahel (África) e na Ásia.
  • Na América Latina, estudo aponta que um El Niño extremo pode reduzir em pelo menos 2% o PIB regional ao longo de três anos e empurrar até 4,8 milhões de pessoas para a pobreza.
  • Projeções indicam um salto de 44% nos dias de calor extremo em comparação com anos normais, servindo como um “cartão postal do futuro” para o clima global.
  • A diminuição das chuvas e o risco de secas colocam em forte pressão os reservatórios de países dependentes de hidrelétricas, elevando a demanda energética em grandes metrópoles como São Paulo, Lima e Cidade do México.
  • Há mais de 70% de probabilidade de secas severas afetarem a produção agrícola no Corredor Seco da América Central, Colômbia, Venezuela e países do Caribe.

 

O atual episódio de “Super El Niño” — classificado por cientistas como um “cartão postal do futuro” devido ao calor extremo — traz alertas severos em frentes cruzadas: enquanto projeta centenas de milhares de mortes por calor no mundo, o fenômeno também ameaça a estabilidade econômica e a segurança alimentar da América Latina.

Um relatório do Laboratório de Impacto Climático da Universidade de Chicago aponta que o fenômeno pode provocar até 451 mil mortes adicionais por calor extremo em todo o mundo no período de seis meses até fevereiro de 2027. Na América do Sul, o Brasil surge como o país mais duramente atingido, com uma projeção de 13,3 mil mortes em excesso devido às temperaturas extremas agravadas pelo fenômeno.

Com um aumento projetado de 44% nos dias de calor extremo em comparação com anos normais, os impactos mais graves em termos de vidas humanas devem se concentrar em regiões vulneráveis: como África, especialmente  Nigéria , Sudão, além de Níger e Chade; e países da Ásia, como Indonésia, Filipinas, Vietnã, Tailândia e Camboja .

Caso o fenômeno se estenda até 2027, países do Hemisfério Norte como Índia e Paquistão enfrentarão extrema vulnerabilidade nos meses de verão.

Impactos econômicos e eociais

No âmbito regional, um estudo especial da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) alerta que um El Niño extremo pode reduzir em pelo menos 2% o PIB da América Latina e do Caribe ao longo de três anos — com metade da perda já no primeiro ano — e empurrar até 4,8 milhões de pessoas adicionais à pobreza até o fim da década.

Os setores mais pressionados incluem:

Agronegócio: Há mais de 70% de probabilidade de secas severas afetarem a agropecuária no Corredor Seco da América Central, na Colômbia, na Venezuela e em países do Caribe como Cuba, Haiti e República Dominicana.

Setor Elétrico: Com a alta probabilidade de secas e déficit de precipitação (que pode atingir 60% em áreas específicas), países altamente dependentes de hidrelétricas sofrem pressão nos reservatórios justamente quando grandes metrópoles (como São Paulo, Lima e Cidade do México) registram pico na demanda por energia.

Diante desse cenário, especialistas e pesquisadores reforçam a necessidade urgente de governos e autoridades implementarem políticas preventivas e medidas emergenciais para proteger vidas, garantir o abastecimento de energia e mitigar os danos econômicos e sociais.