Uma solução mais sustentável para o cultivo de cana-de-açúcar chama atenção do setor: o uso de um fertilizante orgânico produzido a partir do Lodo de Esgoto Composto (LEC) combinado a outros resíduos. A técnica, avaliada em um experimento conduzido pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Ilha Solteira, com apoio da Tera Ambiental, mostrou resultados promissores ao elevar a qualidade do solo e impulsionar a produtividade da cana tanto na primeira quanto na segunda colheita.
O experimento testou o fertilizante em solos tropicais de baixa fertilidade, em Suzanápolis (SP), e evidenciou que o uso de LEC melhorou significativamente a matéria orgânica do solo. Além disso, ele aumentou a disponibilidade de nutrientes como fósforo, cálcio e magnésio, em ambas as safras de cana-de-açúcar.
O fertilizante orgânico resultou em uma solução sustentável para a agricultura, capaz de reduzir a dependência de fertilizantes minerais importados, diminuir custos de produção e promover a economia circular.
“Além de ser uma solução prática, este tipo de adubo contribui significativamente para a saúde do solo e a sustentabilidade do setor sucroenergético, mostrando que é possível aliar alta produtividade com responsabilidade ambiental”, afirma Fernando Carvalho Oliveira, doutor em Agronomia.
O LEC também reduziu a acidez do solo e elevou concentrações de micronutrientes como zinco e cobre, com efeitos observados tanto no curto quanto no longo prazo. Entre os tratamentos, a aplicação de 5 t/ha de LEC associada a 50% da fertilização mineral recomendada (FMC) apresentou o melhor desempenho em fertilidade e produtividade.
Os resultados da pesquisa indicam que o LEC possui forte potencial como fertilizante orgânico, ajudando a reduzir a dependência de fertilizantes minerais convencionais. Seu uso em solos tropicais contribui para diminuir custos de produção, reduzir impactos ambientais e fortalecer práticas agrícolas mais sustentáveis e economicamente viáveis.
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