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El Niño aumenta cautela no início do plantio de soja em MT

El Niño aumenta cautela no início do plantio de soja em MTVolume das chuvas também preocupa produtores. Foto: Aprosoja/MT

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Resumo:

  • O plantio da soja 2026/27 está liberado em Mato Grosso desde 6 de setembro, com o fim do vazio sanitário, mas o Imea aponta trabalhos a campo em ritmo inicial, condicionados à umidade do solo e à regularização das chuvas.
  • O Imea projeta El Niño de forte intensidade, com RONI acima de 2,0 entre setembro e novembro, período decisivo para a implantação das lavouras.
  • O Inmet prevê acumulados de 30 a 50 milímetros em grande parte do estado nos dez dias seguintes a 14/9, com redução das precipitações na sequência, o que pode prejudicar as áreas semeadas na primeira janela.
  • A safra estimada pelo Imea ocupa 13,05 milhões de hectares (ha), com produtividade de 62,44 sacas por hectare e produção de 48,88 milhões de toneladas — recuo de pouco mais de 5% no rendimento e no volume ante 2025/26.

 

Por André Garcia

O plantio de soja está liberado em Mato Grosso desde o fim do vazio sanitário, em 6 de setembro. Mas o avanço das máquinas ainda aguarda a regularização das chuvas e a umidade do solo, que definem o ritmo dos trabalhos neste início de ciclo, marcado pela previsão de um El Niño de forte intensidade.

De acordo com o boletim semanal do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), divulgado na segunda-feira, 14/9, o fenômeno deve apresentar RONI acima de 2,0 entre setembro e novembro, o que justifica a cautela do produtor neste momento.

“Enquanto no Paraná a semeadura já avança em ritmo acelerado, em Mato Grosso e no Matopiba, o início das atividades ocorre de forma mais gradual, com os trabalhos a campo em ritmo inicial”, diz trecho do documento.

Distribuição e volume das chuvas

A preocupação não está apenas na chegada das primeiras chuvas. Para os dez dias seguintes ao boletim, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê acumulados entre 30 e 50 milímetros em grande parte de Mato Grosso, volume que, se confirmado, favorece a continuidade da semeadura.

Há projeção de redução das precipitações na sequência, o que pode prejudicar as áreas plantadas após as primeiras chuvas. A distribuição das chuvas se torna, assim, uma variável tão importante quanto o volume acumulado.

Para o instituto, o cenário reforça a atenção sobre as chuvas da primavera e a importância do acompanhamento das condições climáticas ao longo da safra.

Estimativa da safra

É nesse ambiente que Mato Grosso inicia uma safra projetada para ocupar 13,05 milhões de hectares (ha), praticamente a mesma área do ciclo anterior.

A produtividade estimada é de 62,44 sacas por hectare, e a produção, de 48,88 milhões de toneladas — recuo de pouco mais de 5% no rendimento e no volume na comparação com 2025/26.

Na leitura mais recente do Imea, de julho, o custeio da soja em Mato Grosso está estimado em R$ 4.323,22 por hectare, com R$ 3.814,28 por hectare em insumos. Com o custo contratado antes da primeira semente e o rendimento projetado abaixo do registrado em 2025/26, o comportamento das chuvas será determinante para as contas do produtor.

Saiba mais

O que é o RONI? – O Relative Oceanic Niño Index mede a intensidade do El Niño descontando o aquecimento global de fundo. O índice tradicional, o ONI, compara a temperatura da superfície do mar no Pacífico equatorial central com uma média histórica — mas, como todos os oceanos tropicais vêm aquecendo, ele acaba marcando valores altos mesmo quando o Pacífico não está especialmente mais quente que o restante. O RONI resolve isso subtraindo da anomalia do Pacífico a anomalia média de toda a faixa tropical. O que sobra é o quanto aquela região está descolada do resto, que é o gradiente capaz de alterar a circulação atmosférica e o regime de chuvas. Por isso um RONI acima de 2,0, como o projetado para setembro a novembro, indica evento de forte intensidade.

 

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