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Família Dal Piaz enfrentou degradação de pastagens: veja resultados após boas práticas

Família Dal Piaz enfrentou degradação de pastagens: veja resultados após boas práticasValocir e Mirian Dalpiaz estão satisfeitos com as mudanças e os ganhos. Foto: REM-MT

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Por André Garcia

Há mais de 30 anos, os Dal Piaz começaram a criar gado bovino de corte na fazenda Vale dos Arinos, localizada em Comunidade Pedreira, a 33 km do centro de Juara (MT). É dessa atividade, e da aposentadoria rural, que vem o sustento da família, formada pelos casais Valocir e Mirian e José Sérgio e Marlene Inez e seus filhos.

Você certamente conhece histórias parecidas: são famílias que cuidam de tudo, contratando funcionários só de vez em quando, para o preparo de solo, plantio de capineiras e vacinação do rebanho, por exemplo. Como em muitas delas do Mato Grosso, isso deu tão certo que, aos poucos, os filhos  passaram a atuar diretamente na lida, ficando para os mais velhos o gerenciamento dos recursos.

Mas dar certo até agora não garante sucesso no futuro. Os Dal Piaz acreditaram que era possível fazer melhor e assegurar o sustento dos filhos e netos. Por isso, decidiram apostar em tecnologias mais sustentáveis: há cerca de dois anos, eles estão implantando um conjunto de práticas já testadas e que são acessíveis e mais adequadas ao meio ambiente, sendo melhores que alguns métodos tradicionais. Com isso, eles estão identificando gargalos, reduzindo custos e aumentando os ganhos. O Gigante 163 foi conferir o que eles fizeram e que pode transformar a Vale dos Arinos em uma referência na região.

Pastagens: da degradação ao lucro

O primeiro passo dos Dalpiaz foi organizar e executar um planejamento alimentar para garantir comida para o rebanho durante todo o ano. Isso incluiu o cultivo e manutenção de canaviais e capineiras, mas também a recuperação de pastagens degradadas, onde foram plantados 40 hectares de milho.

O engenheiro agrônomo Igor Nogueira, que acompanha o processo, lembra que o diagnóstico inicial do local apontou uma situação de degradação avançada das pastagens, que não proporcionam nutrição adequada aos animais.

“No ano passado fizemos uma área piloto, com 16 hectares. Tivemos apoio da prefeitura para fazer a parte de gradagem e plantio do milho e o resultado foi muito bom.”

Agora, em 2022, o trabalho se estende a uma área de 56 hectares.

“Como o produtor já vinha trabalhando na alimentação dos animais na época da seca com milho, esta foi a alternativa mais viável. Esta é uma forma tanto de proporcionar a alimentação para o rebanho no período seco como também gerar condições melhores para o solo e então retomar com a pastagem”, diz.

Os resultados, segundo Igor, ainda serão consolidados. Contudo, o retorno já é notável.

“Além da reforma da pastagem, queríamos o retorno financeiro deste investimento de forma mais rápida. Tivemos um custo de produção de 70 sacas por hectare. Então, o fato de nós pouparmos todo esse custo de preparo inicial, com calagem e adubação, a partir do cultivo do milho, gerou um ganho satisfatório.”

Os Dalpiaz também recuperaram dois hectares de Áreas de Preservação Permanente (APP) isolando a área, que recebeu sementes de árvores. Atualmente, do total do espaço, 277,50 hectares são de uso consolidado para o gado, outros 136,57 hectares são áreas de preservação permanente (APP) ou área de vegetação nativa (AVN).

O projeto REM-MT

A revolução na propriedade da família Dalpiaz se deve a um projeto do REM-MT, realizado em parceria com a Empaer. Com valor estimado em R$ 4.257 milhões, o projeto tem foco na região noroeste de Mato Grosso, abrangendo os municípios de Aripuanã, Castanheira, Colniza, Cotriguaçu, Juara, Juína, Juruena e Nova Bandeirantes. O objetivo é aumentar a produção da pecuária de corte. Para isso, os técnicos foram capacitados sobre adequação ambiental e restauração ecológica.

Além disso, o REM-MT ofereceu caminhonetes e equipamentos de coletas de dados em cada estabelecimento rural selecionado, incluindo tablets para coleta de informações instantâneas, trados para coleta de amostras de solo, computadores, impressoras e GPS para melhorar a eficiência dos processos dos escritórios locais da Empaer-MT.