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Pecuária sustentável: ciência e genética mudam o campo

Pecuária sustentável: ciência e genética mudam o camposegredo da pecuária moderna está no equilíbrio. Foto: Chico Valdiner/Gcom-MT

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Resumo

  • A pecuária sustentável vai além da ILPF, reunindo genética, produtividade, bem-estar animal e certificação para elevar a eficiência do setor.
  • Os protocolos Carne Carbono Neutro (CCN) e Carne Baixo Carbono (CBC) atestam a redução de emissões e ajudam a abrir mercados exigentes, como Europa e EUA.
  • A idade média de abate caiu de 48 para 30-33 meses (com meta de chegar a 18-24 meses) e novilhas já emprenham aos 14 meses, reduzindo a emissão de metano por animal.
  • Solo, pasto e gado atuam em conjunto, e o uso de novas tecnologias, como o cocho eletrônico, ajuda a identificar os animais mais eficientes na conversão alimentar.

Três décadas de pesquisas na Embrapa Gado de Corte provam que o segredo da pecuária moderna está no equilíbrio: unir melhoramento genético, bem-estar do rebanho e gestão ambiental é o caminho definitivo para tornar a produção de carne brasileira mais competitiva, rentável e sustentável.

Em Campo Grande (MS), o trabalho da Embrapa Gado de Corte mostra que a atividade de baixo impacto vai muito além de recuperar pastagens ou adotar a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF).

O experimento, um dos mais antigos do Brasil com sistemas integrados, evoluiu no mesmo ritmo das exigências do setor. No início, o foco era elevar a produção de carne e grãos por hectare combinando adubação, manejo e rotação entre agricultura e pecuária. As informações são do Canal Rural

Mais tarde, a inclusão de árvores nos sistemas agregou novos benefícios, como sombreamento para o rebanho, diversificação da produção e uma fonte de renda no longo prazo.

A evolução dessas metodologias permitiu criar protocolos científicos para certificar propriedades capazes de mitigar ou neutralizar suas emissões de carbono.

Certificações valorizam produção

Entre as tecnologias desenvolvidas pela Embrapa estão os protocolos Carne Baixo Carbono (CBC) e Carne Carbono Neutro (CCN).

No sistema de Carne Carbono Neutro, as árvores plantadas na área compensam as emissões de metano do rebanho. Já no protocolo Carne Baixo Carbono, a redução dos impactos ocorre por meio de um manejo eficiente, mesmo em propriedades sem arborização.

Além de cumprir exigências ambientais, as certificações abrem portas em mercados altamente criteriosos, como os Estados Unidos e países da Europa.

Segundo a Embrapa, mais do que um prêmio financeiro pela arroba, esses selos agregam valor à carne brasileira no exterior.

Genética reduz ciclo produtivo

O melhoramento genético é outro pilar essencial da pecuária sustentável. Os pesquisadores da Embrapa trabalham no desenvolvimento de animais mais precoces, produtivos e adaptados aos diferentes modelos de criação.

Nas últimas décadas, a idade média de abate do gado brasileiro caiu de cerca de 48 meses para a faixa de 30 a 33 meses. A meta da pesquisa é encurtar esse ciclo para 24 meses e, futuramente, para 18 meses.

Bovinos abatidos mais jovens permanecem menos tempo emitindo metano, apresentam melhor acabamento de carcaça e entregam uma carne de maior qualidade.

Esse avanço também contempla o rebanho reprodutivo. Com a integração entre genética, nutrição e manejo, algumas novilhas já conseguem emprenhar aos 14 meses, antecipando a produção de bezerros e otimizando o ciclo da fazenda.

Integração e tecnologia no cocho

Para os especialistas, o sistema produtivo precisa atuar em equilíbrio: solo, pastagem, árvores e animais funcionam em conjunto. O manejo correto do solo favorece as forrageiras, garantindo nutrição superior ao rebanho. Animais bem nutridos ganham peso com mais rapidez, mantêm a sanidade e aproveitam melhor o alimento, reduzindo a pegada ambiental.

Essa união entre pesquisa, tecnologia e manejo é apontada pela Embrapa como o principal caminho para produzir mais carne na mesma área, com menor emissão de carbono e alta competitividade.

Na próxima etapa das pesquisas, o destaque é o uso do cocho eletrônico, equipamento que registra individualmente o consumo de cada animal para identificar os mais eficientes no ganho de peso, acelerando o avanço genético dos rebanhos no país.