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Sem zoneamento, MT discute bacias hidrográficas para planejar produção

Sem zoneamento, MT discute bacias hidrográficas para planejar produçãoVolume de água transportados pelos rios vem caindo. Foto: Rui Faquini/Divulgação ANA

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Por André Garcia

Impactos sobre a nascente de um rio podem afetar cidades, produção agrícola e comunidades ao longo do seu percurso. Por isso, especialistas defendem que as bacias hidrográficas sejam usadas como referência no ordenamento territorial de Mato Grosso, mapa que define onde pode produzir, preservar ou expandir atividades econômicas.

De acordo com o Instituto Centro de Vida (ICV), de toda a Amazônia Legal, Mato Grosso é o único estado que ainda não concluiu seu Zoneamento Socioeconômico e Ecológico (ZSEE) definitivo, assunto que ganha urgência frente aos crescentes desafios climáticos da pressão sobre a água.

No Cerrado, por exemplo, o volume transportado pelos rios caiu 27% desde a década de 1970. É como se o bioma deixasse de bombear 30 piscinas olímpicas por minuto, afetando seis grandes bacias hidrográficas que abastecem boa parte do País, segundo o relatório “Cerrado: O Elo Sagrado das Águas do Brasil”, publicado no ano passado.

“Conhecer onde estão as nascentes e toda a área de captação de um determinado córrego ou rio é fundamental para conservá-las e garantir seu uso equilibrado e sobrevivência”, explica a bióloga e doutora em Ambiente e Sociedade Rosely Sanches, do Instituto Socioambiental (ISA).

Estado sob pressão

Nos outros dois biomas de Mato Grosso, Amazônia e Pantanal, o desequilíbrio se mantém. Recentemente, o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) apontou que o desmatamento na zona de transição entre o Cerrado e a Amazônia está desequilibrando o ciclo da água em pequenas bacias hidrográficas.

A pesquisa monitorou, durante três anos, oito bacias no leste do estado com diferentes níveis de preservação, entre 10% e 80% de vegetação nativa. Os resultados mostram que áreas mais desmatadas apresentam maior fluxo de água durante o período chuvoso, aumentando o risco de enchentes, e menor disponibilidade na estação seca.

Na maior planície alagada do planeta, o cenário é semelhante. O Pantanal concentra cerca de 2% da água doce da Terra, mas perdeu 61% da área inundada em relação à média histórica. Em 2024, os índices permaneceram abaixo dos níveis médios durante todo o ano, conforme dados do MapBiomas.

Planejamento e segurança para investimentos

Isso porque o ZSEE orienta investimentos, licenciamento ambiental e ocupação do território. O pesquisador Alexandre Luís Cesar reforça que sem esse planejamento, decisões sobre agricultura, mineração, infraestrutura e conservação são tomadas de forma fragmentada, muitas vezes sem considerar efeitos acumulados.

“Essa pauta é importante por diversos aspectos, de natureza social, econômica e ambiental. Sendo Mato Grosso um estado economicamente diverso, o seu ordenamento territorial é imprescindível para um diagnóstico adequado das causas das desigualdades regionais e o direcionamento de recursos públicos e privados para mitigá-las”, pontuou.

 

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