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Custo de produção alto é o principal desafio para próxima safra, diz Imea

Custo de produção alto é o principal desafio para próxima safra, diz Imea

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Por Vinicius Marques, especial para o Gigante 163

Nesta terça-feira, 14 de dezembro, o superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), Cleiton Gauer, apresentou um balanço geral com as principais estimativas de agricultura e pecuária para as safras 2021/22 e 2022/23. Segundo Gauer, o setor agropecuário do nosso Estado finalizou em alta, quando comparado ao mesmo período do ano anterior, mas ainda possui desafios para a próxima safra. O principal deles são os preços dos fertilizantes, que elevam os custos de produção e tendem a comprimir as margens do setor na próxima temporada.

Estimativa dos resultados produtivos da safra 2021/22

Por conta da pandemia da covid-19, as safras do ano passado apresentaram uma queda considerável quando comparadas aos resultados de 2019/20. Outro fator que prejudicou a produtividade no ano anterior foi um atraso das chuvas. Nas safras 2021/22, no entanto, as estimativas têm se mostrado mais positivas, tanto em relação à área cultivada, quanto à produtividade e produção.

Na soja, houve um incremento da área cultivada, em relação ao período anterior, de 3,6%, estimando um total de 10,85 milhões de hectares. Sua produtividade foi de 58,56 sacas por hectare (1,9% a mais que a última safra) e a produção total estimada alcançou a máxima histórica do Estado de 38,14 milhões de toneladas de soja — um aumento de 5,5%.

Os preços do milho também foram mais remuneradores. Com a antecipação da semeadura da soja deste ano, houve um incremento da área produtiva do milho de 6,2% em relação à última safra, totalizando 6,23 milhões de hectares. A produtividade do milho de 2021/22 se manteve dentro da média histórica do Estado, mas apresentou um incremento de 12,7% em relação à safra anterior, considerada atípica, alcançando aproximadamente 106,1 sacas por hectare. Estima-se que essa safra de milho totalizará uma produção recorde de 39,65 milhões de toneladas.

Já em relação à cultura de algodão, que acabou sendo ainda mais impactado pela pandemia — por conta do fechamento de mercados e retração da demanda principalmente do oeste asiático —, houve um incremento de 12,8% de área produtiva, resultando em 1,1 milhão de hectares. Sua produtividade até então é de 288,04 arrobas de pluma por hectare e a produção está estimada em 4,77 milhões de toneladas.

Estimativa de custos de produção 2022/23

Os custos de produção estão entre os principais fatores que trouxeram incerteza nas safras 2021/22, especialmente em relação às sementes, fertilizantes e defensivos. Essa situação ainda se mantém, mesmo que reduzida, para as próximas safras.

O custo operacional total da soja 2021/22 foi de R$ 4.357,16 por hectare, tendo grande incremento na parte de sementes — 29,6% em relação ao ano anterior. Para a safra 2022/23, estima-se que o custo operacional da soja será de R$ 6.146,03  por hectare, tendo o fertilizante como principal aumento: 52,2% em relação à atual.

O milho 2022/23, por sua vez, poderá sofrer um incremento de 12,6% em seu custo operacional total. Os gastos com defensivos poderão passar por um incremento de 35,8% em relação à safra atual, de R$ 462,75 reais por hectare.

Já o algodão seguirá apresentando grande incremento na parte de fertilizantes, apesar de menos crítico quanto ao deste ano. Estima-se que o aumento de custo com estes produtos será de 27,3%, em comparação aos 41% de incremento que o mesmo obteve na safra 2021/22. O custo operacional total do algodão 2022/23 está estimado em R$ 16.576,03 por hectare.

“O principal ponto [para se preparar para um possível aumento nos custos] é ficar atento nas relações de troca”, sugere Gauer. “Procurar sempre o melhor momento para comprar e travar seus custos na medida em que for comercializando o produto.”

Cenários de preços das safras 2022/23

Ao observar a movimentação dos produtores em relação à comercialização da soja, milho e algodão, o IMEA pôde estimar os preços por saca de cada produto para a próxima safra, que seria de R$ 142,74 por saca de soja; R$ 58,77 por saca de milho e R$ 149,35 por saca de pluma de algodão. Na safra de 2021/22, os preços por saca de soja, milho e algodão foram de, respectivamente, R$ 126,36; R$ 53,12 e R$ 140,30.

A comercialização da soja e do milho na safra de 2022/23 apresentará ainda uma queda: -6,5 pontos percentuais na cultura de soja e -5,1 p.p. para o milho. O algodão, por sua vez, seguirá em recuperação, com um incremento de 9 pontos percentuais em sua comercialização.

Perspectivas para a pecuária no ano de 2022

O embargo da China em relação à carne brasileira, derrubado hoje, foi um dos fatores que geraram preocupação e falta de expectativa no cenário pecuário brasileiro no ano de 2021 e, em boa parte, justifica a perspectiva dos preços do setor para o próximo ano.

Segundo o superintendente do IMEA, o futuro do mercado bovino possui ainda menor volatilidade, por conta das movimentações atípicas do lado do consumidor e, principalmente, pela alta nos preços pagos pelo boi no mercado físico. Em relação à produção, no entanto, há uma retomada positiva de oferta, com o aumento da produção de bezerros e uma esperada virada de ciclo para os próximos dois anos. Há ainda, no setor de gado, a expectativa de arrefecimento dos custos com a aquisição de animais.

No mercado de leite e produtos lácteos, estima-se que a redução da oferta, principalmente no próximo ano, poderá sustentar os preços. O setor ainda enfrentará uma redução na captação de leite, devido a alguns fatores como a retenção de fêmeas no último ano.

Já da parte de suínos, com a saída da China do mercado e a consequente diminuição de compras, haverá um aumento da dependência do mercado interestadual ou possíveis novos mercados, como a Rússia. O aumento da produção de carne suína dependerá muito do alívio de seus custos.