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Amazônia tem segundo menor desmate no trimestre

Amazônia tem segundo menor desmate no trimestreFoto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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Por André Garcia

A Amazônia atingiu o segundo menor patamar de desmatamento para um primeiro trimestre em toda a série histórica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), com 399,59 km² registrados entre janeiro e março de 2026. Os números mantêm uma trajetória de queda registrada nos últimos meses.

De acordo com o DETER, sistema de alerta de desmatamento em tempo real do Instituto, o único valor inferior para um primeiro trimestre foi registrado em 2017, com 233,64 km². Na prática, a diferença em relação ao mesmo período de 2025 corresponde a cerca de 410 campos de futebol.

No Brasil, o desmatamento é medido no chamado “ano-desmatamento”, que vai de agosto a julho. Como o ciclo ainda não foi fechado, o resultado final depende dos meses mais críticos, que historicamente concentram a maior parte das derrubadas. Mesmo assim, há expectativa de que a taxa na Amazônia seja a menor da série histórica.

“Temos uma expectativa, acompanhando os últimos seis meses, de agosto a 31 de janeiro, de chegarmos à menor taxa de desmatamento na Amazônia da série histórica se continuarmos com esses esforços”, apontou em entrevista recente a titular do Ministério do Meio Ambiente e Mudança Climática (MMA), Marina Silva.

Alerta mantido

Os primeiros meses do ano costumam concentrar menor atividade de desmatamento na Amazônia, por coincidirem com a estação chuvosa. Mesmo nesse cenário, o Brasil destruiu ao menos 1.865,7 km² de vegetação nativa nos três primeiros meses de 2026, somando Amazônia e Cerrado.

Um dado que chama atenção é o crescimento no número de avisos — 44,3% a mais que em 2025 — mesmo com a área total praticamente estável. Isso sugere que o desmatamento está mais pulverizado em eventos menores e dispersos, padrão que tende a dificultar a fiscalização em campo.

Mato Grosso na segunda colocação do ranking

Apesar de queda de cerca de 15% em relação a 2025, Mato Grosso é o segundo estado com maior área destruída na Amazônia no trimestre, atrás apenas de Roraima. No período o estado registrou 144,02 km² desmatados.

Seis cidades mato-grossenses figuraram entre as dez mais afetadas: Nova Ubiratã (33,51 km²), que liderou o ranking nacional do período, Santa Carmem (13,61 km²), Marcelandia (10,47 km²), Colniza (10,17 km²), Nova Maringá (10,03 km²) e Juara (9,09 km²).

Alta no Cerrado

Em sentido oposto ao da Amazônia, o Cerrado registrou crescimento de 15% na área desmatada. De janeiro a março de 2026, o bioma acumulou 1.466,11 km² em alertas de desmatamento, com 4.989 avisos registrados.

Este é o segundo pior primeiro trimestre da série histórica do DETER Cerrado, atrás apenas de 2024, quando a derrubada chegou a 1.475,04 km².

Vale lembrar que o Cerrado tem cerca de metade do tamanho da Amazônia, o que torna os números mais preocupantes em termos proporcionais. O bioma cobre grande parte da região Centro-Oeste e abriga as principais nascentes das bacias hidrográficas do País.

 

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