Por André Garcia
O brasileiro quer uma carne mais sustentável e indica estar disposto a pagar por isso. Um levantamento do Instituto Qualibest mostra que 73% dos consumidores pagariam mais por uma carne com garantias socioambientais, sinalizando uma mudança de percepção de consumo.
Essa disposição, contudo, ainda não se traduz de forma consistente no comportamento de compra. Critérios como gosto, rotina e preço seguem como os principais fatores na decisão, enquanto aspectos como meio ambiente e origem do produto são citados por apenas 3% e 2% dos consumidores, respectivamente.
Ao mesmo tempo em que isso indica uma tendência de valorização desses critérios, ajuda a explicar por que os avanços no campo nem sempre chegam à percepção de quem está na ponta. É o que explica o head de Pecuária da Produzindo Certo, Paulo da Costa.
“Para reverter esse desconhecimento e construir confiança, é essencial promover a transparência da sustentabilidade da produção agropecuária brasileira e usar campanhas de conscientização das atuais e próximas gerações para explorar informações verídicas”, afirma.
Sustentabilidade
Embora o Brasil mantenha exigências ambientais como a preservação de vegetação nativa em áreas privadas, esse diferencial ainda chega de forma limitada ao público. Essa distância sugere que o esforço do produtor rural brasileiro na proteção do meio ambiente ainda não consegue chegar ao conhecimento do consumidor de forma clara.
Assim, para que a sustentabilidade se converta em valor no ponto de venda, o setor precisa tornar mais claro seu impacto não apenas ambiental, mas também na saúde, no bem-estar e na qualidade do alimento. Para isso, a transparência tem papel decisivo.
“A rastreabilidade tornou-se um tema central para garantir a qualidade do alimento em todos os mercados do mundo. Esse monitoramento é necessário desde a fazenda de origem até o prato do consumidor”, avalia o especialista.
Exigência externa
Enquanto o consumidor interno ainda enfrenta barreiras de informação, o mercado internacional tem pressionado por padrões mais rígidos. Compradores como China e União Europeia vêm ampliando as exigências relacionadas à origem da carne, especialmente em relação ao desmatamento.
Esse movimento leva a cadeia produtiva brasileira a reforçar mecanismos de controle e rastreamento. Nesse cenário, a rastreabilidade se consolida como ferramenta central para garantir a origem e a qualidade do produto ao longo de toda a cadeia.
“Esse monitoramento passa pelas boas práticas agropecuárias, socioambientais e de sanidade animal dentro das propriedades. Da porta do frigorífico em diante, o foco recai sobre os padrões de fabricação e a inocuidade do alimento até que o alimento chegue na mesa da população”, acrescenta Costa.
A pesquisa, encomendada pelo movimento “A Carne do Futuro é Animal” e realizada com mais de mil pessoas em todo o país, aponta justamente essa lacuna de informação. A iniciativa integra o Canivete Pool, grupo de pecuaristas de Mato Grosso voltado à profissionalização da produção.
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