O Brasil quer transformar sua base agrícola e sua biodiversidade em vantagem competitiva para liderar a produção global de fertilizantes especiais. Para o Ministério da Agricultura (Mapa), a meta pode ser alcançada até 2030, com foco em insumos como micronutrientes, organominerais, biofertilizantes e produtos solúveis.
“Nós somos o País, e eu não tenho nenhuma dúvida em afirmar isso, que será o líder mundial dessa nova indústria de fertilizantes”, disse José Carlos Polidoro, assessor do ministério, durante evento promovido pela consultoria Argus, em São Paulo.
Conforme destacou o Globo Rural, o potencial brasileiro está apoiado em três pilares: o tamanho do mercado interno, o conhecimento técnico acumulado e a disponibilidade de matéria-prima.
“Nós não temos só a maior biodiversidade do mundo, temos a maior reserva de ativos biológicos do mundo”, afirmou.
Plano Nacional
Esse movimento ganha escala com o Plano Nacional de Fertilizantes, lançado em 2022, que prevê reduzir a dependência externa, ampliar a produção nacional e alcançar autonomia tecnológica até 2050. O plano inclui medidas para melhorar o ambiente de negócios, reduzir custos e incentivar parcerias público-privadas.
Na prática, a aposta também passa pela ampliação da pesquisa e da inovação. Nos próximos dias, entram em operação novas unidades do Centro de Excelência em Fertilizantes e Nutrição de Plantas, com foco em fosfatados, agrominerais e remineralizadores.
A expectativa é que, com esse avanço, o Brasil suba no ranking global e se consolide até 2035 entre os três maiores mercados de fertilizantes do mundo.
Mercado ainda enfrenta pressão
Apesar do potencial, o avanço do setor ocorre em um cenário de custos elevados e restrições de oferta.
A estimativa da Argus é de que o mercado de fertilizantes tenha retração de 10% a 20% no país em 2026.
“São dois fatores: disponibilidade e preço. É falta de produto e um preço muito alto que realmente acaba diminuindo a demanda”, afirmou a gerente de desenvolvimento de negócios da consultoria, Thaís Sousa.
Segundo ela, os fertilizantes especiais tendem a ter custo mais alto do que os convencionais, com diferença que pode chegar a US$ 200 por tonelada.
“A grande diferença é que a entrega dele é maior. Ele tem uma produtividade mais alta e pode economizar a quantidade de fertilizantes convencionais utilizados”, explicou.
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