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Crise do enxofre acelera avanço dos bioinsumos no agro

Crise do enxofre acelera avanço dos bioinsumos no agroTransição energética e conflitos geopolíticos pressionam o mercado. Foto: CropLife

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A disparada global do preço do enxofre e a crescente instabilidade no mercado internacional de fertilizantes começam a acelerar uma mudança estrutural no agronegócio brasileiro, ampliando investimentos em bioinsumos e tecnologias voltadas à eficiência nutricional e à saúde do solo.

A recente crise envolvendo a Mosaic ajuda a explicar esse movimento. Em dezembro de 2025, a companhia anunciou a paralisação da produção de superfosfato simples em Araxá (MG) e na Fospar, no Paraná, após o preço do enxofre saltar de cerca de US$ 100 para US$ 550 por tonelada em menos de um ano.

Em coluna publicada pela CNN, o diretor da Rural, Fernando Rodrigues, afirmou que a mudança no setor deixou de ser apenas ambiental ou conceitual e passou a ser econômica.

“Isso não acontece por ideologia. Acontece porque a conta econômica mudou”, resume.

Segundo ele, durante décadas o agro se acostumou a enxergar o enxofre como um subproduto abundante e barato da indústria de petróleo e gás.

“A lógica parecia estável: enquanto o mundo refinasse petróleo, haveria enxofre disponível para o fertilizante fosfatado”, explica.

No entanto, a transição energética começou a alterar esse equilíbrio. O processamento de minerais críticos usados em baterias, como níquel, cobre e algumas rotas de lítio, passou a consumir volumes crescentes de ácido sulfúrico, pressionando preços e disponibilidade do insumo no mercado global.

Ao mesmo tempo, a escalada das tensões no Oriente Médio ampliou ainda mais a pressão sobre o mercado. Quase metade do comércio marítimo global de enxofre passa pelo Estreito de Ormuz. Com o aumento da instabilidade na região, o preço do insumo disparou mais de 40% no Brasil em apenas um mês.

Resposta do mercado

Nesse cenário, empresas como Koppert, Biotrop, Bioma, Simbiose, Nitro Agro, Gênica e a americana Sound Agriculture ampliaram os investimentos em soluções voltadas à solubilização biológica de fósforo, inoculantes, bioativadores e microbiológicos.

Na prática, os solubilizadores biológicos ajudam as plantas a acessar nutrientes que já existem no solo, mas permanecem indisponíveis. Em um ambiente de fertilizantes mais caros, escassos e expostos à geopolítica global, aumentar a eficiência do sistema produtivo deixa de ser diferencial e começa a se transformar em necessidade operacional.

Para Rodrigues, o Brasil pode ter uma das maiores vantagens competitivas do mundo nesse novo cenário.

“Temos biodiversidade, escala agrícola, ambiente tropical complexo e uma enorme capacidade de validação em campo. Lideramos globalmente a adoção de microrganismos promotores de crescimento vegetal.”

Segundo ele, o avanço dessas tecnologias tende a ganhar velocidade à medida que os fertilizantes minerais ficam mais caros, instáveis e expostos às disputas geopolíticas globais.

“No fim, o que parecia apenas uma crise de insumo pode acabar acelerando uma transformação estrutural muito maior”, conclui.

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