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Bioinsumos poupam até R$ 141 por ha na soja

Bioinsumos poupam até R$ 141 por ha na sojaAlternativa vem se consolidando em cenário de alta nos custos de produção. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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Por André Garcia

Em um cenário de alta nos custos de produção, os bioinsumos surgem como uma saída concreta para reduzir gastos na lavoura de soja: substituir fungicidas químicos por biológicos nas primeiras aplicações pode economizar R$ 141,00 por hectare, o equivalente a R$ 70.500,00 a menos em uma propriedade de 500 hectares por safra.

Os dados fazem parte de um levantamento liderado pelo professor Gabriel Medina (UnB), que combinou entrevistas presenciais com produtores do DF e de Cristalina (GO), todos com propriedades acima de 500 hectares, com consultas a representantes comerciais em sete estados.

“Na ausência de conhecimento detalhado sobre a adoção de bioinsumos, esse segmento pode ser erroneamente visto como uma tecnologia de nicho, complementar às práticas convencionais, em vez de um potencial indutor de mudança sistêmica no manejo das lavouras”, explica o autor.

O manejo convencional, onde os biológicos são priorizados mas não substituem os fungicidas químicos, ficou em R$ 2.244,00 por hectare. Já o manejo substitutivo,  com biofungicidas entrando no lugar dos químicos nas primeiras aplicações, caiu para R$ 2.103,00. A diferença  é de R$ 141,00 por hectare.

De acordo com o levantamento, existe ainda uma terceira opção, o chamado empilhamento, que combina biológicos e químicos simultaneamente para ampliar a eficácia e reduzir o risco de resistência a moléculas.

Aqui o custo sobe um pouco, R$ 2.265,00 por hectare, mas o benefício está no longo prazo: menos pressão de seleção sobre os defensivos químicos significa que eles continuam funcionando por mais safras.

O que já funciona como substituto

 O caso mais consolidado é o inoculante: 82,6% dos produtores entrevistados já eliminaram a adubação nitrogenada mineral na soja com bactérias fixadoras de nitrogênio e o nitrogênio residual ainda beneficia culturas em rotação como milho e algodão.

Os bionematicidas seguem o mesmo caminho: 39,3% dos produtores já os usam no lugar dos nematicidas químicos em aplicações preventivas. O produto age desde a semente, formando uma proteção nas raízes antes que os nematoides se estabeleçam.

Para fungicidas foliares e inseticidas, a lógica ainda é de alternância — os biológicos ocupam as janelas preventivas do ciclo, como V3 e V4, reduzindo o número de pulverizações com produtos convencionais. A única fronteira sem alternativa biológica disponível é o controle de plantas daninhas: não há bioherbicida registrado no Brasil.

“Os bioinsumos podem desempenhar um papel central na redesignação do manejo das lavouras em direção a sistemas mais regenerativos, em vez de funcionar meramente como complementos marginais aos agroquímicos sintéticos”, avalia Medina.

Reposicionamento estratégico

Como já mostramos, a Lei dos Bioinsumos foi aprovada em dezembro de 2024, mas aguarda regulamentação. É exatamente nesse processo que está sendo decidido se pequenos produtores poderão fabricar seus próprios bioinsumos ou se o mercado seguirá o modelo concentrado dos agroquímicos.

“Ao reposicionar os produtos biológicos como ferramentas centrais no manejo da fertilidade do solo e da sanidade das plantas, torna-se possível conceber sistemas produtivos em que os insumos sintéticos sejam estrategicamente restritos a situações específicas e doses menores”, conclui o pesquisador.

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