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O mercado brasileiro de fertilizantes para a próxima safra está operando entre 10 e 15 pontos percentuais abaixo da média histórica, com 35% das compras ainda em aberto.
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Como o Brasil importa mais de 80% do que consome, o atraso nas compras tende a concentrar os desembarques no segundo e terceiro trimestres, ameaçando sobrecarregar portos, armazéns e o transporte interno.
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Conflitos na Rússia, Ucrânia e Oriente Médio (que respondem por até 40% do NPK global) elevaram os custos e complicam o frete internacional.
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A guerra fez o enxofre saltar de US$ 150 para mais de US$ 1.000 por tonelada devido à concorrência com a indústria de baterias elétricas; o MAP subiu de US$ 650 para cerca de US$ 900 por tonelada.
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Para mitigar os custos sem perder produtividade, os agricultores reforçam análises de solo precisas e expandem o uso de soluções biológicas combinadas ao manejo tradicional de fósforo.
A compra de fertilizantes para a próxima safra está mais lenta que o normal, e isso já preocupa o agro brasileiro. Até agora, cerca de 65% do mercado foi negociado, mas 35% ainda está em aberto. O ritmo de vendas está entre 10 e 15 pontos percentuais abaixo da média dos últimos anos.
Em entrevista à CNN, o vice-presidente comercial da Mosaic, Felipe Pecci, destacou o impacto para o País, que importa mais de 80% dos fertilizantes que consome. Ele lembrou ainda que boa parte das operações acaba se concentrando no segundo e no terceiro trimestre, o que pode sobrecarregar portos, transporte e armazenamento.
“Já começamos a observar um estresse logístico. Existe tempo de mar, line-up de portos, e boa parte dessas operações acaba se concentrando no segundo e terceiro trimestre. É um atraso preocupante”, afirmou.
Por que o produtor está adiando a compra
Três fatores ajudam a explicar o cenário. O primeiro é a geopolítica. Conflitos envolvendo Rússia, Ucrânia e o Oriente Médio mexem com o mercado mundial de fertilizantes — essas regiões respondem por 30% a 40% do NPK (nitrogênio, fósforo e potássio) negociado no planeta.
Como o Brasil depende muito das importações, o resultado é imediato: custos mais altos e logística mais difícil.
O segundo é a disparada no preço do enxofre, matéria-prima usada nos fertilizantes fosfatados. O produto saltou de cerca de US$ 150 por tonelada no fim do ano passado para mais de US$ 1 mil. Além das tensões internacionais, o enxofre passou a ser disputado pela indústria de baterias e carros elétricos.
O MAP (fosfato monoamônico) também subiu, de cerca de US$ 650 para perto de US$ 900 por tonelada.
O terceiro é o crédito mais caro. Com juros altos e oscilação nos preços das commodities, parte dos produtores perdeu poder de compra. Segundo a Mosaic, o mercado já vê aumento no número de recuperações judiciais no campo.
Produtor busca economizar sem perder produtividade
Diante dos custos altos, muitos produtores estão fazendo análises de solo mais detalhadas para aplicar só o que a lavoura realmente precisa e cortar gastos onde der. Esse movimento tem aumentado o interesse por fósforo e por soluções biológicas, que complementam os fertilizantes tradicionais.“Existem bolsões de demanda que não conseguirão comprar produtos. O mercado já observa aumento nos números de recuperações judiciais”, disse Pecci.
Para enfrentar o cenário, a Mosaic afirma que pretende ampliar parcerias com instituições financeiras e investir em agricultura de precisão e soluções biológicas, buscando reduzir a dependência dos ciclos mais voláteis do mercado global.
“Para acompanhar esse momento, passamos a investir em agricultura de precisão, plataformas digitais e soluções biológicas capazes de aumentar a eficiência do uso dos nutrientes no campo”, concluiu.
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