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EUA citam ‘racha’ na Moratória da Soja para justificar nova tarifa

EUA citam ‘racha’ na Moratória da Soja para justificar nova tarifaLei de MT que enfraqueceu Moratória da Soja foi citada. Foto: Vinícius Mendonça/Ibama

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Resumo

  • Os Estados Unidos propuseram uma nova tarifa adicional de 12,5% sobre produtos do Brasil e de dezenas de países. Somada à taxa de 25% anunciada no dia anterior sob a alegação de práticas comerciais “irracionais”, a sobretaxa total sobre as exportações brasileiras para o mercado americano pode chegar a 37,5%.
  • De forma inédita, o relatório de 107 páginas, com os motivos para recomendar uma nova tarifa, usa a lei de Mato Grosso que enfraqueceu a Moratória da Soja como argumento oficial para acusar o país de conivência com o desmatamento na Amazônia.

  • Somada a essa barreira ambiental, a administração americana propôs uma segunda taxa de 12,5% baseada em investigações sobre trabalho forçado na cadeia produtiva global. Com isso, os produtos brasileiros divulgados pelo Valor Econômico podem enfrentar uma sobretaxa conjunta de até 37,5% na alfândega.

  • Esta segunda investigação, amparada pela Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, lista a carne bovina brasileira ao lado de produtos de outros 60 países (como China, Índia e Japão) como setores vulneráveis à exploração laboral.

  • O cerco econômico foca nas principais commodities do agronegócio nacional (soja e carne). Para conter a inflação interna, os EUA previram alíquotas reduzidas ou isenções para café, bananas, tomates, têxteis e alguns metais.

  • As novas tarifas não entram em vigor imediatamente. Elas passarão por um período de consulta pública e audiências técnicas agendadas em Washington a partir de 7 de julho.

 

O governo de Donald Trump elevou a pressão comercial global ao propor uma nova rodada de tarifas alfandegárias que afeta diretamente o Brasil. Conforme reportado pelo jornal Valor Econômico, o Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) sugeriu a imposição de uma taxa adicional de 12,5% sobre as importações de mercadorias vindas do território brasileiro, além de nações como China, Índia, Japão, Coreia do Sul e Suíça.

A medida foi anunciada menos de 24 horas após Washington propor uma tarifa de 25% contra o Brasil sob a justificativa de práticas de mercado “irracionais”, o que pode elevar o custo conjunto de entrada dos produtos brasileiros nos EUA para 37,5%.

O novo argumento técnico de Washington apoia-se em um relatório de quase 100 páginas que investiga a cadeia de suprimentos global e acusa 60 países de falharem no combate à circulação de bens produzidos por meio de trabalho forçado.

Para embasar a punição, o governo norte-americano usou como argumento a lei estadual de Mato Grosso que retirou incentivos fiscais de empresas que cumprem a Moratória da Soja. De acordo com o USTR, essa medida provocou a saída de grandes multinacionais do pacto ambiental.

“Essa ação (a lei de MT) já teve um efeito inibidor, visto que grandes empresas multinacionais começaram recentemente a se retirar da Moratória da Soja, o que pode enfraquecer o impacto do acordo sobre as taxas de desmatamento. O Brasil não conseguiu aplicar — e até mesmo, em alguns casos, revogou — suas leis ambientais”, diz o documento.

É a primeira vez que um governo estrangeiro utiliza disputas locais em torno da Moratória da Soja para justificar sanções financeiras contra o país, segundo o Globo Rural.

Carne brasileira

O representante comercial norte-americano, Jamieson Greer, defendeu que a inércia de grandes parceiros econômicos prejudica a competitividade dos trabalhadores dos EUA. O documento cita dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e lista a carne bovina brasileira, o arroz de Mianmar, o tabaco do Malawi e o algodão chinês como setores vulneráveis à prática.

Em contrapartida, o USTR abriu margem para mitigar o impacto em itens sensíveis, prevendo isenções ou alíquotas menores para café, tomates, bananas, alguns metais e têxteis.

A maior parte da taxação vem de uma proposta de 25% de tarifa sobre bens brasileiros. O USTR alega que o Brasil adota práticas comerciais desleais e falha na aplicação de leis anticorrupção. O ponto central do relatório de 107 páginas, contudo, é a acusação de negligência no combate ao desmatamento na Amazônia.

Fonte: Valor Econômico e Globo Rural