O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou nesta terça-feira, 9/6, que o governo brasileiro está se preparando para a chegada do novo El Niño. Segundo o titular do MMA, entre as ações está a liberação de quase R$600 milhões em recursos para os corpos de bombeiros que vão atuar na prevenção e combate de incêndios para as regiões da Amazônia, Cerrado e Pantanal.
“São mais de 4.630 profissionais do Governo Federal que vão estar monitorando e atuando nas frentes de incêndio. Este ano, fizemos repasse para vários estados da região do Cerrado brasileiro e Pantanal. Então, nós temos, somando para a Amazônia com o Cerrado e Pantanal, mais de R$ 500 milhões, quase R$ 600 milhões que foram investidos nos corpos de bombeiros”, afirmou o ministro em entrevista à Voz do Brasil desta terça.
Um ciclo de monitoramento foi iniciado em janeiro e avaliou a evolução do cenário climático com base nos dados acumulados até abril deste ano. As informações subsidiam a atuação do MMA no planejamento e implementação de ações de prevenção e combate aos incêndios florestais, em articulação com estados, municípios e sociedade civil.
As atividades serão intensificadas no segundo semestre, quando há previsão de impactos climáticos decorrentes do El Niño.
“Temos aí os maiores especialistas, os grandes meteorologistas brasileiros, trabalhando em parceria com o Governo Federal, monitorando reuniões mensais e estamos verificando, infelizmente, que os indícios de que será um El Ninho forte estão crescendo”, pontuou o ministro.
Secas intensas e prolongadas
De acordo com Capobianco, o evento climático deve causar secas mais intensas e prolongadas na região Norte, Nordeste e Centro-Oeste, que inclui a Amazônia, a Caatinga, o Cerrado e o Pantanal; e chuvas intensas na região Sul, Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina, com chances de novas enchentes.
“Então, o que nós estamos fazendo? Atuando de forma preventiva, de várias frentes. A primeira frente importante é o aumento da capacidade do Governo Federal de fazer frente aos incêndios florestais. Nós teremos, esse ano, o maior número de brigadistas atuando no enfrentamento”, destacou o titular do MMA.
Ainda em entrevista, o ministro alertou para a importância da atuação da sociedade civil. Então, nós temos mais preparação dos estados, mais preparação do Governo Federal, mas, evidentemente, o elo fundamental aqui é a sociedade.
“Não use fogo. O fogo, muitas vezes, é usado no Brasil para queima de lixo, para limpar um pasto, para abrir um terreno. O problema é que, na situação que nós vamos enfrentar, isso se torna incontrolável”, explicou.
Para o ministro, evitar o fogo é o ideal, e combatê-lo no início é o segundo passo importante.
“Se você não faz isso, ele pode adquirir a potência de um grande incêndio, às vezes de quilômetros de extensão, tornando o trabalho dos brigadistas, dos bombeiros extremamente difícil. Portanto, é importantíssimo que a sociedade esteja atenta. Não use fogo a partir agora de junho”, concluiu Capobianco.
Uma série de medidas adotadas para prevenir e combater os incêndios florestais, como a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo (PNMIF), fez cair em 39% a área queimada no território nacional em 2025 na comparação à média dos oito anos anteriores (2017 a 2024), segundo o Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (LASA) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
No Pantanal, a queda foi de 91%; na Amazônia, de 75%; na Mata Atlântica, de 58%; e no Pampa, de 45%.

