Resumo
- Setor projeta crescimento de até 11% no faturamento em 2026, após recuar 5,5% em 2025
- Mesmo com a queda, volumes vendidos se mantiveram, indicando demanda firme do produtor
- Biofertilizantes (+76,7%) e orgânicos (+58,5%) foram os destaques de crescimento no ano
Por André Garcia
A indústria de biofertilizantes e fertilizantes especiais projeta crescer até 11% em 2026, retomando o ritmo após um ano de recuo. A aposta se apoia em uma demanda que se manteve firme mesmo com a queda de 5,5% no faturamento de 2025, que somou R$ 25,4 bilhões.
O dado faz parte do relatório anual da Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia para Produção Vegetal (Abisolo) e mostra como a pressão sobre o campo chegou à cadeia de insumos: frente a juros altos, crédito restrito e inadimplência no agro, o produtor adiou compras e pressionou por preços menores.
Espremida entre custo em alta e preço sob pressão, a indústria viu o faturamento recuar mesmo sem queda nos volumes vendidos, num cenário ainda agravado por tensões geopolíticas e pelo câmbio médio mais alto que em 2024.
Aposta na produtividade
Para 2026, a indústria reconhece que a pressão sobre os custos deve continuar, principalmente por conta da dependência brasileira de matérias-primas importadas. Contudo, a aposta é de que a demanda por soluções de alta performance seja sustentada pela busca do produtor por produtividade.
Não à toa, as empresas estão investindo em tecnologias premium, produtos biológicos e soluções ligadas à eficiência produtiva e à adaptação climática, conforme destacado por Roberto Levrero, presidente do Conselho Deliberativo da Abisolo.
“O setor continua investindo em pesquisa, desenvolvimento e inovação porque entende que produtividade, eficiência e sustentabilidade serão fatores cada vez mais estratégicos para a agricultura brasileira. Mesmo em um cenário desafiador, a demanda por tecnologias de alta performance permanece relevante”, afirmou.
Os biofertilizantes avançaram 76,7% e os orgânicos cresceram 58,5%, movimento impulsionado pela ampliação da adoção no campo, pela entrada de novas empresas e pelo aumento dos registros no Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).
Nesse contexto, Levrero destacou que o produtor rural pode até reduzir despesas em momentos de maior pressão financeira, mas tende a preservar investimentos diretamente ligados ao desempenho produtivo da lavoura.
“O produtor continua entendendo que produtividade será cada vez mais decisiva para preservar rentabilidade”, disse.
SAIBA MAIS
O setor de biofertilizantes e fertilizantes especiais reúne produtos de maior valor agregado e conteúdo tecnológico, como foliares, organominerais, orgânicos e biofertilizantes, que se diferenciam dos fertilizantes convencionais de larga escala. A Abisolo, associação que representa essas indústrias, divulga anualmente um levantamento de desempenho do mercado.
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