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Desmatamento na Amazônia atinge menor nível em 41 anos

Desmatamento na Amazônia atinge menor nível em 41 anosDo total desmatado em 2025, 639 mil ha, ou 92%, ocorreram em vegetação primária. Foto: Divulgação/Polícia Federal

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Resumo:

  • A Amazônia registrou 693 mil hectares de desmatamento em 2025, o menor valor da série do MapBiomas, iniciada em 1987.
  • Segundo o MapBiomas, 3,7 milhões de hectares de pastagens abertas na Amazônia foram convertidos em lavoura, principalmente em Mato Grosso, Rondônia e Pará.
  • Na porção amazônica de Mato Grosso, a agricultura ocupa 12,6% da área, e a pastagem, 21,4%.
  • A conversão de vegetação nativa no bioma caiu de 42,6 milhões de hectares entre 1986 e 2007 para 19,4 milhões entre 2008 e 2025, segundo o MapBiomas.
  • A vegetação secundária, área em regeneração após o desmatamento, soma 7,3 milhões de hectares no bioma e cresce em média 180 mil hectares por ano.

 

Por André Garcia

O desmatamento na Amazônia somou 693 mil hectares (ha) em 2025, o menor valor da série do MapBiomas, iniciada em 1985. Os números, divulgados nesta quarta-feira, 14/10, mostram também que parte da expansão agrícola do bioma ocorre sobre áreas já abertas: 3,7 milhões de ha de pastagens viraram lavoura na região.

Do total desmatado no ano passado, 639 mil ha, ou 92%, ocorreram em vegetação primária, e 54 mil ha em vegetação secundária, áreas que já haviam sido desmatadas e estavam em regeneração.

O resultado fica bem abaixo do pico da série, registrado em 2003, quando 2,87 milhões de ha de vegetação primária foram derrubados. Entre 1987 e 2025, a perda média de vegetação primária foi de 1,4 milhão de ha por ano.

Conversão desacelera desde 2008

A desaceleração aparece também no acumulado. Entre 1986 e 2007, 42,6 milhões de ha de vegetação nativa foram convertidos para agropecuária e outros usos. Entre 2008 e 2025, foram 19,4 milhões de ha.

A pastagem foi o principal destino dessas áreas. Ela foi o primeiro uso registrado em 77% dos casos de desmatamento entre 1985 e 2022, e 37,7 milhões de ha seguiam como pasto em 2025.

Pasto vira lavoura em Mato Grosso

A conversão de pastagens em lavoura se concentra em Mato Grosso, Rondônia e Pará. No bioma, a área agrícola passou de 161 mil ha em 1985 para 8,6 milhões de ha em 2025, e 3,7 milhões de ha desse total ocupam antigos pastos. A soja responde pela maior parte dessa expansão: saiu de 1,4 mil ha para 7 milhões de ha, cerca de 81% da área agrícola do bioma.

Na porção amazônica de Mato Grosso, a agricultura já ocupa 12,6% da área, a maior proporção entre os estados do bioma. A pastagem responde por 21,4%, e a vegetação nativa cobre 61,7%.

Vegetação secundária avança

Outros 3,9 milhões de ha de pastagem voltaram a ser vegetação secundária. No bioma, essa vegetação soma 7,3 milhões de ha, cerca de 2% da cobertura nativa, e cresce em média 180 mil ha por ano.

A derrubada dessas áreas em regeneração também recuou. Os 54 mil ha de vegetação secundária desmatados em 2025 ficaram abaixo da média da série, de 183 mil ha por ano.

Saiba mais

O que é vegetação secundária? É a vegetação que volta a crescer em áreas já desmatadas, em processo de regeneração. O MapBiomas separa essas áreas da vegetação primária, que nunca foi derrubada, para acompanhar quanto da floresta perdida se recupera ao longo do tempo. Na Amazônia, a vegetação secundária soma 7,3 milhões de hectares em 2025, cerca de 2% da vegetação nativa do bioma.

 

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