Resumo:
- O agronegócio brasileiro ocupou 28,4 milhões de pessoas no segundo trimestre de 2026, o maior contingente para o período desde o início da série, em 2012, segundo boletim do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
- Em um ano, o setor somou 188,6 mil ocupados (+0,7%), no mesmo ritmo do mercado de trabalho brasileiro, com o segmento primário crescendo 2,7% puxado por café, soja e milho, de acordo com o Cepea/CNA.
- O salário médio real do empregado do agro subiu 3,7% em relação ao segundo trimestre de 2025, para R$ 2.972, acima da alta de 2,3% da média nacional, aponta o boletim.
- O número de ocupados com ensino superior no agronegócio cresceu 5,4% em um ano, ou 254,5 mil pessoas, e chegou a 4,94 milhões, segundo o Cepea/CNA.
- Mesmo com a alta, o salário do empregado do agro segue 14,5% abaixo da média nacional, de R$ 3.475, e a bovinocultura perdeu 94 mil ocupados em um ano, mostra o boletim.
Por André Garcia
O agronegócio brasileiro ocupou 28,4 milhões de pessoas no segundo trimestre de 2026, o maior contingente para o período desde 2012. A alta veio principalmente do campo, e o salário real do empregado do setor cresceu acima da média do país.
O levantamento é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e mostra que, em um ano, o setor ganhou 188,6 mil trabalhadores, alta de 0,7%, que acompanha o ritmo do mercado de trabalho brasileiro, que registrou a menor taxa de desemprego para o período: 5,4%.
Café e soja puxam ocupação no campo
O segmento primário ganhou 210,2 mil ocupados em um ano, mais que o saldo de todo o setor, e chegou a 7,92 milhões. Café, soja, produção florestal e milho lideraram o avanço, com altas de 19%, 14% e 9% respectivamente. Na pecuária e na pesca, a ocupação cresceu 0,4%, com altas em aves, suínos e pesca.
O crescimento no campo se refletiu nos agrosserviços, que somaram 113,5 mil ocupados em um ano e chegaram a 10,6 milhões.
“A expansão da ocupação nas atividades agropecuárias tende a ampliar a demanda por serviços relacionados à produção, como transporte, armazenamento, comércio e outras atividades de apoio, favorecendo a geração de postos de trabalho nos agrosserviços”, destaca o levantamento.
Salário real cresce acima da média
Além disso, o salário médio do empregado do agro chegou a R$ 2.972, alta real de 3,7% em um ano, contra 2,3% no conjunto do mercado de trabalho brasileiro. Os maiores ganhos ficaram na indústria de base agrícola, de 10,7%, e no emprego da pecuária, de 8,0%.
Com mais empregados e salários maiores, a renda dos assalariados do setor subiu 2,8% em um ano. Somados empregadores e trabalhadores por conta própria, a renda do trabalho no agro chegou a R$ 71,84 bilhões por mês, alta real de 2,5%.
Diploma ganha espaço no agro
Os ocupados com ensino superior completo ou incompleto somaram 254,5 mil a mais em um ano, número maior que o saldo total do setor. O grupo chegou a 4,94 milhões e quase dobrou desde 2012. O boletim associa a mudança à modernização dos sistemas produtivos, à mecanização e à incorporação de tecnologias.
“Políticas voltadas à qualificação profissional, à assistência técnica e à inclusão produtiva podem contribuir para ampliar a capacidade de adaptação dos produtores e trabalhadores às transformações em curso, especialmente diante da crescente incorporação de tecnologias e das mudanças no perfil da demanda por mão de obra”, aponta o boletim.
A carteira assinada segue como a principal forma de ocupação, com 9,88 milhões de trabalhadores e alta de 0,5% em um ano, enquanto os empregados sem carteira recuaram 1,7%. A participação feminina no setor passou de 36,6% em 2012 para 38,2% em 2025.
Distância salarial cai, mas persiste
O salário do empregado do agro ainda equivale a 85,5% da média nacional, de R$ 3.475; um ano antes, eram 84,3%. Entre os trabalhadores por conta própria, o rendimento caiu 3,1% em um ano, e 12,5% na pecuária.
Nem todos os elos acompanharam a alta. A bovinocultura perdeu 94 mil ocupados em um ano (-5,2%), a indústria de máquinas agrícolas recuou 21,8% e a agroindústria encolheu 2,4%.
Saiba mais
O que é população ocupada? Na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), base do boletim, é o conjunto de pessoas que trabalharam ao menos uma hora na semana de referência, com ou sem remuneração direta, ou que estavam temporariamente afastadas de um trabalho remunerado. Para o agronegócio, o Cepea identifica as atividades ligadas ao setor em quatro segmentos (insumos, produção primária, agroindústria e agrosserviços) e, desde 2023, inclui também quem produz exclusivamente para o próprio consumo, cerca de 4,9 milhões de pessoas, critério que a divulgação trimestral do IBGE não adota.
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