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Agrishow: Sensor mede o ‘suor’ das plantas para salvar colheitas

Agrishow: Sensor mede o ‘suor’ das plantas para salvar colheitasCom o sensor, produtor evita o desperdício ou a sede da planta. Foto: Sigma Sensors

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Diante de um clima cada vez mais imprevisível — com secas, ondas de calor e pragas — a tecnologia de ponta assume o papel de “intérprete” da natureza. Uma das grandes novidades da Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), é um sensor capaz de medir algo invisível: a transpiração das lavouras.

O sistema monitora a chamada evapotranspiração, que é o caminho que a água faz do solo para a atmosfera através das plantas.

“A evapotranspiração é todo o balanço hídrico do solo. Se eu sei quanto choveu, quanto ficou no solo e quanto está indo para a atmosfera, eu consigo entender exatamente o que a planta absorveu”, explicou Júlio César Hollenbach, CEO da Sigma Sensors, ao g1.

O sensor utiliza comprimentos de onda para identificar a exata quantidade de vapor de água no ar. Além disso, ele capta o movimento da umidade (se está subindo ou descendo), permitindo um cálculo real do fluxo de água na plantação.

“Esse sensor mede a quantidade de vapor de água no ar a partir de comprimento de onda. Ele emite um sinal e consegue identificar com muita exatidão quanto vapor está presente naquela massa de ar”, afirma Hollenbach.

O professor Vinicius Cambaúva, da Harven School, reforça que o controle de dados é a única defesa contra o clima.

“O clima é um fator que o produtor não controla. Por isso, ele precisa se proteger com estratégias que reduzam o impacto financeiro quando o problema acontece”.

‘Equilíbrio é tudo’

Com os dados na palma da mão, via celular ou computador, o produtor evita o desperdício ou a sede da planta. O equilíbrio é a chave para não perder produtividade.

“Ele consegue entender se precisa irrigar mais ou menos. Se exagerar na água, pode até estressar a planta. Se faltar, perde produtividade. Então o equilíbrio é tudo”, afirma o CEO da Sigma Sensors.

Hollenbach complementa que o monitoramento em tempo real evita que pequenos problemas virem catástrofes:

“Os dados vão para a nuvem e podem ser acessados no celular ou no computador. O produtor consegue ver naquele momento o que está acontecendo na lavoura. Se eu acompanho em tempo real, consigo entender se está faltando água e agir antes que o problema vire um prejuízo grande”.

O custo da precisão

Embora revolucionária, a tecnologia ainda é um investimento de elite. Sensores de alta precisão custam entre R$ 50 mil e R$ 100 mil, o que restringe o uso a grandes produtores que possuem escala para diluir os gastos e impostos.

“É um investimento alto, principalmente por conta dos impostos. Geralmente são os maiores que procuram. Eles têm escala e conseguem diluir melhor esse custo”, comenta Hollenbach.

Além do preço, há o desafio da mão de obra: não basta ter o dado, é preciso saber interpretá-lo. Por isso, Cambaúva finaliza lembrando que a tecnologia deve ser parte de um plano maior:

“O dado melhora a tomada de decisão, mas precisa estar integrado a uma estratégia maior de gestão”.