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Artigo: As Portas da Sucessão Familiar

Artigo: As Portas da Sucessão Familiar

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Gigante 163 convida diversos especialistas, produtores e influenciadores para colaborar com conteúdos que interessam os nossos leitores – profissionais do agronegócio. Aqui somos proponentes da profissionalização do agro – e sabemos que no Mato Grosso, muitos produtores passam pelo processo da sucessão familiar, as vezes sem experiência prévia no campo.  Por isso hoje pedimos a produtora Cristiane Steinmetz para contar sua história de sucessão para nós como inspiração para muitos passando pelo processo!  

Encontre outras matérias de convidados aqui, e aproveite o artigo da Cristiane abaixo! 

Eu nasci no Agro, mas comecei a atuar nele por meio da Sucessão Familiar.

Muitas pessoas me perguntam onde começa minha história no agro. Onde teve início esta trajetória, uma vez que me formei em uma área distinta, já que sou advogada. Eu costumo dizer que ela começa desde o dia em que nasci. Eu nasci na fazenda e morei na fazenda até os 15 anos de idade, além de ser filha e neta de produtores rurais que ganharam a vida e o sustento da família no agronegócio.

No entanto, apesar de ter sido criada na fazenda, meus pais nunca me incentivaram a fazer nenhum curso voltado à área de agrárias, os tempos eram difíceis e a vida no campo bastante sofrida. Não lhes parecia muito prudente tal incentivo. O que almejavam era que estudássemos para não ter de voltar.

Assim o fiz. Aos 15 anos de idade saí de casa em busca dos meus sonhos. Aos 18 me mudava para capital para cursar a faculdade de Direito.

Em 2004, no entanto, quando já cursava o 7º período de Direito em Goiânia (GO), eis que uma grande crise assola o agronegócio do País. É o momento em que a Ferrugem Asiática entra no Brasil e todo um processo de muita tensão se instaura. E é em meio a esse cenário que vejo meu pai em uma situação muito difícil, com saúde e finanças abaladas. E foi nesse momento que ouvi o chamado e meu coração me disse que era hora de voltar para minhas raízes.

Esta foi minha porta de entrada para a gestão de uma propriedade rural produtora de grãos no Brasil. Foi assim que comecei a atuar no agro.

Aos 21, o agro chegou de vez.

Digo que fui enfrentar uma espécie de desafio às avessas, pois desta vez não era para longe da família, nem com foco em estudar. Agora, a meta era para estar junto da família e com foco nos cuidados ao pai e na recuperação dos negócios da fazenda.

Trabalhei com ele ao longo de 10 anos. Tive a grata oportunidade de aprender com ele e hoje sei que eu vivi naquela fase uma ‘meia sucessão’, que só não foi doce porque foi muito árdua e difícil. Mas sem dúvidas de muitos aprendizados que me trouxeram até aqui.

Dez anos depois, o grande desafio.

Ao longo destes 10 anos, eu também me formei em Direito, entrei para a OAB e cursei MBA em Liderança Executiva e Gestão Empresarial. O que era para ser apenas um momento, uma fase na qual eu viria auxiliar meus pais e, depois, voltaria para seguir o meu caminho, acabou se transformando em 10, 15, que hoje completam 17 anos de trajetória no agro.

Então, veio o momento mais difícil para nossa família, que foi a partida do meu pai, do meu porto seguro, daquele que estava ali comigo. Em 2014, encerra-se um ciclo com meu pai partindo muito jovem, vítima de um infarto, aos 60 anos de idade.

É nesse momento que eu, minha mãe e irmã assumimos a gestão da propriedade.

Eu e minha irmã Adriane fomos em busca de conhecimento e cursamos Técnico em Agronegócios.

É natural que em um processo de sucessão o mercado teste os sucessores, é assim com homens e com mulheres. Em um meio tipicamente masculino, o fato de ser mulher tende a pesar ainda mais.

A notícia boa é que com: PACIÊNCIA, RESILIÊNCIA e DETERMINAÇÃO os RESULTADOS VÊM!

CONHECIMENTO que gera RESULTADO que gera CREDIBILIDADE! É quase como que em uma fórmula matemática! Essa eu diria que é minha dica de ouro, faça o que deve ser feito: ESTUDE, BUSQUE CONHECIMENTO, SE DEDIQUE e o tempo se encarrega de baixar a poeira e, consequentemente, amenizar as inseguranças, sejam da nossa parte ou de terceiros.

Foi assim conosco, e existem grandes chances de ser assim com vocês!

Nesta safra de 2022, posso afirmar que chegamos à maturidade de um processo que se iniciou naquele longínquo 2014. Não só pelo sucesso da safra em si, mas pelos resultados negociais, pelos processos de gestão instaurados, pelo equilíbrio da equipe e das contas.

Posso afirmar que, se hoje sou uma produtora rural já acumulando experiência, o começo se deu por meio do processo de sucessão familiar. Creio que a grande maioria das mulheres do agro também passa por processos similares quando assumem suas propriedades para tocar os negócios de sua própria maneira. Por isso, para que mais mulheres tenham sucesso em iniciar suas atividades no agronegócio, é preciso prestar muita atenção e criar mecanismos cada vez mais eficientes para garantir sucessões familiares tranquilas e produtivas, que gerem a continuidade da produtividade no campo.

Duas coisas mais gostaria de aqui ressaltar antes de finalizar. Busquem GRUPOS DE APOIO! Existem uma infinidade deles esparramados Brasil afora, a própria Rede UMA, da qual sou idealizadora, conecta vários deles. Garanto a vocês que o fardo se torna bem mais leve quando temos com quem dividir e compartilhar nossos desafios.

E, por fim, o problema maior não está no fato de outras pessoas não acreditarem que somos capazes. Mas, sim, em nós mesmas quando não acreditamos em nosso potencial!

Seja como for, por piores que forem as circunstâncias: ACREDITE EM VOCÊ E NÃO DEIXE NINGUÉM LHE CONVENCER DO CONTRÁRIO!