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Com 1,5 mil focos de calor em uma semana, MT acende alerta no campo

Com 1,5 mil focos de calor em uma semana, MT acende alerta no campoPrejuízos podem envolver lavouras, pastagens, áreas de preservação. Foto: Aprosoja MT/Bruno Lopes

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Resumo:

  • Mato Grosso registrou 1.489 focos de calor entre 16 e 22 de agosto, maior número entre os estados brasileiros no período.
  • Temperaturas próximas dos 40°C, baixa umidade e vegetação seca aumentam o risco de incêndios nas propriedades rurais.
  • O fogo pode atingir lavouras, pastagens, áreas preservadas, máquinas e estruturas, além de prejudicar a matéria orgânica do solo.
  • A orientação aos produtores inclui preparação antecipada de aceiros e monitoramento de focos de incêndio nas proximidades das propriedades.
  • A fumaça também preocupa: cerca de 710,2 mil pessoas em MT vivem em municípios que tiveram níveis de MP2,5 acima do recomendado pela OMS.

Por André Garcia

Mato Grosso liderou o número de focos de calor no País entre 16 e 22 de agosto, em meio ao avanço da estiagem e à combinação de temperaturas próximas dos 40°C, baixa umidade e vegetação seca. O cenário aumenta o risco de incêndios nas propriedades rurais e exige atenção redobrada dos produtores nas próximas semanas.

Para o produtor, os prejuízos podem envolver lavouras, pastagens, áreas de preservação, estruturas e máquinas. A Aprosoja MT chama atenção ainda para um dano menos visível: a perda de matéria orgânica do solo provocada pelo calor intenso.

“Existe o risco de queimar sede, de queimar maquinário, mas o maior prejuízo é a mineralização da matéria orgânica pelo excesso de calor. Isso põe por água abaixo um trabalho que leva anos para se construir, e a matéria orgânica é componente essencial para a produtividade de qualquer cultura, especialmente soja e milho”, afirma Luiz Pedro Bier, vice-presidente e coordenador de Sustentabilidade da entidade

Cenário de risco

Segundo informe divulgado pelo Ministério da Saúde nesta terça-feira, 25, foram registrados 1.489 focos de calor em Mato Grosso no período. O estado ficou à frente do Pará, com 1.277 registros, Amazonas, com 966, e Tocantins, com 625. Ao todo, o Brasil contabilizou 6.491 focos na semana.

Dados do Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), também mostram pressão sobre Mato Grosso. Entre 1º e 21 de agosto, foram registrados 871 eventos de fogo ativo, segundo levantamento divulgado pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT).

Jangada, Paranatinga e Nova Santa Helena estão entre os municípios com ocorrências registradas pelo Corpo de Bombeiros. Em Jangada, a prefeitura decretou situação de emergência no último dia 17 após o fogo atingir áreas urbanas e rurais. Equipes dos bombeiros, aeronaves e produtores rurais foram mobilizados para o combate.

Medidas preventivas

Segundo ele, as medidas preventivas precisam ser adotadas antes do período mais crítico da seca. A entidade recomenda, entre outras ações, a preparação antecipada de aceiros e o uso de ferramentas digitais capazes de emitir alertas sobre ocorrências de fogo nas proximidades das propriedades.

“Quando chega agosto, quando os focos tradicionalmente começam a aumentar, ele já está preparado, já sabe como combater e já fez os preparativos para que, se houver fogo na propriedade, o dano seja o menor possível”, diz Bier.

A Aprosoja MT também integra o Comitê Estadual de Gestão do Fogo e mantém parceria com o Corpo de Bombeiros em ações de prevenção. A entidade disponibiliza aos produtores uma cartilha de Manejo Integrado do Fogo, com orientações sobre preparação da propriedade e resposta às ocorrências.

Bier afirma ainda que parte dos incêndios que posteriormente atingem propriedades rurais começa fora das áreas produtivas.

“Via de regra, começam em beiras de rodovias, se espalham e muitas vezes avançam para dentro das áreas produtivas. O produtor não tem interesse nenhum em colocar fogo na própria área”, afirma.

Fumaça também exige cuidados

Além do risco direto às propriedades, o avanço das queimadas já afeta a qualidade do ar em Mato Grosso. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 710,2 mil pessoas vivem em municípios do estado que registraram concentração de material particulado fino (MP2,5) acima do valor recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) por pelo menos dois dias consecutivos.

Entre os potencialmente expostos estão 57,5 mil crianças de até quatro anos e 83,8 mil pessoas com 60 anos ou mais. Em períodos de fumaça intensa, a orientação é reduzir atividades e esforços físicos ao ar livre, aumentar a ingestão de água e diminuir o tempo de exposição. Quando for necessário permanecer em ambiente externo, o ministério recomenda o uso de máscaras N95, PFF2 ou P100 bem ajustadas ao rosto.

Saiba mais:

Mineralização da matéria orgânica – A matéria orgânica do solo é formada por resíduos de plantas, raízes, microrganismos e outros materiais em diferentes estágios de decomposição. Ela contribui para a fertilidade, retenção de água, estrutura do solo e disponibilidade de nutrientes para as plantas. A mineralização é o processo de decomposição dessa matéria orgânica, com liberação de nutrientes em formas minerais. Temperaturas muito elevadas provocadas pelo fogo podem acelerar a perda de carbono e outros componentes orgânicos, reduzindo parte dos benefícios acumulados ao longo do manejo.

 

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