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Desmatamento da Amazônia cresce 54% e MT lidera derrubada

Desmatamento da Amazônia cresce 54% e MT lidera derrubadaMT registrou 372 km² derrubados, sendo 31% do total. Foto:Christian Braga/Greenpeace

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Apenas em abril, último mês da “estação chuvosa”, o chamado “inverno amazônico”, uma área de floresta do tamanho da cidade do Rio de Janeiro foi posta abaixo no bioma. Os dados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) detectaram uma perda de 1.197 km², 54% a mais do que o registrado no mesmo mês de 2021. Com isso, a região teve o pior abril dos últimos 15 anos, desde que o instituto iniciou o monitoramento por satélites, em 2008.

Mato Grosso foi o que mais desmatou pelo quarto mês consecutivo, com 372 km² derrubados, 31% de toda a destruição registrada na região. Na semana passada, o Estado foi citado pelo MapBiomas como o que mais fiscaliza alerta de desmatamentos no País.

Esses dados servem como um sinal de urgência para que ações sejam implementadas antes que a estimativa de 15 mil km² derrubados entre agosto de 2021 e junho de 2022 vire realidade. A previsão é da plataforma de inteligência artificial PrevisIA, que vem se mostrando uma ferramenta assertiva ao indicar as áreas sob maior risco de desmatamento na Amazônia.

Isso porque, de toda a área de floresta derrubada nos últimos nove meses, 75% estava em um raio de até 4 km do ponto estimado pela plataforma. Para avaliar essa assertividade, pesquisadores do Imazon, instituição responsável pela geração de dados da PrevisIA, cruzaram as áreas que a ferramenta indicou estarem sob risco de devastação entre agosto de 2021 e julho de 2022 com o desmatamento já detectado pelo SAD entre agosto e abril.

“Essa análise nos mostrou que a plataforma pode auxiliar muito para evitar a derrubada da floresta e ainda gerar economia de recursos e de tempo para os órgãos públicos que têm como missão proteger a Amazônia, pois indica assertivamente para onde direcionar os esforços de prevenção. Esperamos que a PrevisIA erre, pois queremos que seus dados possam ajudar a orientar ações efetivas para evitar desmatamentos. Porém, infelizmente, estamos vendo a previsão se tornar realidade”, lamenta Carlos Souza Jr., pesquisador do Imazon.

E isso lembrando que os dados SAD e outros monitoramentos mensais geram uma estimativa conservadora do desmatamento, pois precisam usar as imagens do mês analisado, que podem sofrer mais com a interferência de nuvens. A PrevisIA estima o número do sistema Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que faz uma leitura anual da derrubada da floresta, podendo escolher imagens com menos interferências de nuvens do que os sistemas mensais.

Fonte: Imazon

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