Por André Garcia
A Amazônia registrou queda de 42% no desmatamento em fevereiro de 2026, na comparação com o mesmo mês do ano passado. A área derrubada passou de 119 km² para 69 km², o equivalente a cerca de 5 mil campos de futebol – o menor índice para o mês nos últimos oito anos.
Os dados são do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), do Imazon, que monitora a floresta por imagens de satélite. Conforme a série histórica, as menores destruições registradas no mês foram em 2016 (0 km²), 2014 (11 km²) e 2015 (42 km²). Já as maiores ocorreram em 2023 (325 km²), 2022 (303 km²) e 2018 (214 km²).
“A queda no desmatamento da Amazônia é essencial para a redução das emissões de gases de efeito estufa no Brasil e para o combate às mudanças climáticas, que têm deixado eventos extremos como secas e tempestades mais intensos e frequentes em todo o mundo”, explica o pesquisador do Imazon, Carlos Souza Jr.
Fevereiro marca o sétimo mês do chamado “calendário do desmatamento”, que vai de agosto de um ano a julho do seguinte, acompanhando o regime de chuvas da região.
Pressão migra para nova fronteira agropecuária
Apesar da queda geral, o levantamento revela uma redistribuição da pressão sobre a floresta. O Pará segue liderando a derrubada no período, com 398 km² entre agosto e fevereiro, embora com redução de 54% em relação ao ciclo anterior. Amazonas e Acre aparecem na sequência, com 200 km² e 190 km², respectivamente.
O que muda, no entanto, é a posição entre os estados. Mato Grosso, historicamente entre os líderes do desmatamento, caiu para a quarta colocação após reduzir a derrubada em 51%. No lugar, o Acre passou a ocupar o topo do ranking.
Segundo Larissa Amorim, esse deslocamento está ligado ao avanço da fronteira agropecuária no oeste da Amazônia, especialmente na região conhecida como AMACRO, que reúne áreas do Acre, Amazonas e Rondônia.
“O aumento no Acre pode ser explicado pelo fortalecimento dessa fronteira, marcado pela expansão da pecuária e pela pressão sobre terras públicas ainda florestadas”, diz.
Queda não elimina pressão sobre a floresta
A redução registrada em fevereiro e no acumulado do calendário indica uma desaceleração do desmatamento, mas não significa redução estrutural da pressão sobre a Amazônia. Os dados mostram que a dinâmica segue ativa, com deslocamento para novas áreas e avanço sobre regiões menos consolidadas.
“A saída do Mato Grosso do topo do ranking durante esse período não indica perda de relevância do estado no cenário do desmatamento. O que estamos observando é uma ampliação territorial da dinâmica do desmatamento na Amazônia Legal”, comenta Larissa.
Recuo na degradação florestal
Além da redução na derrubada da floresta, os dados apontam queda também na degradação florestal, dano causado principalmente por queimadas e exploração madeireira. Em fevereiro, o sistema do Imazon detectou 13 km² de áreas degradadas, uma redução de 93% em relação ao mesmo mês de 2025, quando foram registrados 211 km².
Mato Grosso e Pará lideram a degradação com ampla diferença em relação aos demais estados, somando 1.255 km² e 677 km² no período, respectivamente. Juntos, concentram 85% de toda a área degradada na Amazônia. Ainda assim, ambos registraram reduções significativas, de 86% e 96%.
Na contramão da tendência geral, o Acre apresentou aumento de 50% na degradação, passando de 72 km² para 108 km². Roraima também registrou alta, ainda que mais moderada, de 50 km² para 55 km². Nos demais estados, houve redução desse tipo de impacto ambiental.
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