Resumo
- Mato Grosso já recuperou 3,82 milhões de hectares de pastagens dentro do Plano ABC+
- O número representa 75,3% da meta estadual do programa
- O estado responde por 17% da meta nacional, com 12,5 milhões de hectares a serem impactados até 2030
- Mato Grosso participa com cerca de 17% da meta nacional do programa
- Um bom exemplo é a Fazenda Rio Manso de que apostar em tecnologia, ciência e inovação aumentar a produtividade e reduz os impactos ambientais da produção
Por André Garcia
Mato Grosso atingiu 3,82 milhões de hectares em recuperação de pastagens dentro do Plano ABC+, programa federal de agricultura de baixo carbono. O número representa 75,3% da meta estadual estabelecida pelo programa, que prevê impactar cerca de 12,5 milhões de hectares com tecnologias sustentáveis até 2030.
Os dados foram apresentados nesta semana pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico do estado (Sedec-MT) em evento promovido pela Famato na Fazenda Rio Manso, em Campo Verde.
O estado participa com cerca de 17% da meta nacional do programa. Para alcançá-la, as principais apostas são os sistemas integrados de produção, como a integração lavoura-pecuária e lavoura-pecuária-floresta, que combinam diferentes atividades na mesma área para melhorar o uso do solo e elevar a produtividade.
Recuperar para produzir
Em outra frente, está a recuperação de pastagens degradadas, uma das bases do Plano ABC+. À CNN, a secretária-adjunta de Agronegócio da Sedec, Linacis Lisboa, ressaltou que o processo traz ganhos diretos em qualidade do pasto, microbiota do solo e controle hídrico. Além disso, o modelo permite produzir mais sem abrir novas áreas.
“Você melhora a qualidade do pasto, aumenta a oferta de alimento para o rebanho, melhora a microbiota do solo, o controle hídrico e amplia a biomassa disponível. Tudo isso resulta em maior produtividade por área”, afirmou.
Resultados na prática
A Fazenda Rio Manso é administrada hoje pela terceira geração da família Minuzzi e exemplifica, na prática, a evolução do agronegócio mato-grossense. Hoje, a propriedade adota tecnologias do Plano ABC+, como a Terminação Intensiva de Bovinos (TIB) e a Integração Lavoura-Pecuária (ILP).
Rodrigo Minuzzi, um dos responsáveis pela gestão, explica que a fazenda foi se transformando ao longo das décadas, apostando em tecnologia, ciência e inovação para aumentar a produtividade e reduzir os impactos ambientais da produção.
“Meu pai chegou aqui junto com meu avô e minha avó em 1963, vindos do Rio Grande do Sul. Meu avô começou criando gado, e ainda levou um certo tempo até descobrir as necessidades do solo do cerrado”, diz.
Cenário estadual
O projeto ABC+ em Ação é desenvolvido em parceria entre a Sedec-MT e a Famato, com investimento de R$ 1,57 milhão do Governo de Mato Grosso. A iniciativa busca disseminar informações técnicas e capacitar produtores rurais, técnicos e profissionais do setor para fortalecer a produção agropecuária sustentável no estado.
A segunda edição do projeto, realizada entre agosto e outubro de 2025, percorreu 16 municípios: Sinop, Campo Novo do Parecis, Rio Branco, Porto Estrela, Santa Cruz do Xingu, Confresa, Ribeirão Cascalheira, Alto Taquari, Aripuanã, Juruena, Nova Bandeirante, Carlinda, Alto Paraguai, Jaciara, Poconé e Cuiabá.
Saiba mais
O que é o Plano ABC+
O Plano ABC+ é a política nacional de agricultura de baixa emissão de carbono, criada em 2010 pelo governo federal. Atualmente em sua segunda etapa, com vigência até 2030, o programa incentiva a adoção de tecnologias sustentáveis no campo — como recuperação de pastagens degradadas, integração lavoura-pecuária e plantio direto — com o objetivo de aumentar a produtividade agropecuária e reduzir as emissões de gases de efeito estufa ao mesmo tempo. O financiamento é feito por meio de linhas de crédito rural com condições diferenciadas para produtores que adotam as práticas previstas no plano.

