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Guerra pode impactar exportação de carne, dizem especialistas

Guerra pode impactar exportação de carne, dizem especialistas

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Uma semana depois da invasão russa em território ucraniano, diversos setores da economia global têm sentido ou previsto impactos em suas cadeias. No mercado da carne não é diferente. Segundo Bruno de Jesus Andrade, diretor de operações do Instituto Mato-Grossense da Carne (Imac), caso o conflito perdure, as relações comerciais brasileiras podem ser prejudicadas. No ano de 2021, o Brasil exportou à Rússia um total de US$ 137 milhões em carne bovina, levando aquele país à posição de 12º maior importador do produto. “E o Mato Grosso participa com 21% nesse total de faturamento com a Rússia”, aponta o diretor do Imac.

Para Lainer Leite, diretor de pesquisa da Nutripura (empresa do setor agropecuário de Rondonópolis), o mercado certamente sofrerá impacto e, nesse sentido, toda perda é importante. No entanto, como o volume de exportação à Rússia vinha caindo nos últimos anos, este efeito pode ser menor. Em 2020, por exemplo, Mato Grosso exportou o equivalente a US$ 63,215 milhões, ou 17,6 mil toneladas. Já em 2021, este volume caiu para US$ 29,092 milhões, ou 6,7 mil toneladas — uma redução de 53%. “O volume enviado diretamente para Rússia diminuiu, mas uma guerra pode ter efeitos no mercado internacional como um todo”, alerta o diretor.

Segundo divulgado pela Nutripura, os preços dos principais insumos e commodities devem registrar alta no País a partir desta quinta-feira, 3/3. Devido ao carnaval, a bolsa nacional não operou no começo da semana e os reflexos do conflito entre Rússia e Ucrânia podem atingir mais fortemente o mercado interno.

O diretor técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Bruno Lucchi, também se  mostrou preocupado em relação aos reflexos que serão sentidos nas diversas cadeias de produção do país. O aumento de custo dos grãos, por exemplo, afeta também no custo das cadeias de avicultura, suinocultura e bovinocultura, uma vez que dependem de ração oriunda principalmente do milho. “Isso se agrava, se não tivermos uma melhoria da segunda safra ainda esse ano”, alerta Lucchi.

“O milho se aproxima da casa dos R$ 100 e boi gordo iniciou a semana em alta, fruto das incertezas do mercado. Apesar de índices variando de 1% a 5%, todo aumento de custo é significativo, sobretudo em um cenário de incertezas”, afirma Luiz Ernesto Emiliani, gestor de pool de compras e vendas da Nutripura.

Ainda segundo a empresa, os pecuaristas que compraram fertilizantes para adubar ou reformar os pastos estão preocupados com relação à entrega dos insumos. “Grande parte dos produtores já comprou os insumos para fazer a reforma de pastagens este ano, devido a janela de reforma, a atenção se volta agora para entrega destes produtos para o segundo semestre, visto que Rússia e Belarus são os principais fornecedores de adubos nitrogenados”, explica Emiliani.

O gestor aconselha produtores a terem cautela e fazerem contas para garantir o retorno dos investimentos. “A primeira orientação é sempre diminuir risco, comprar insumos quando possível e proteger com seguros ou outras ferramentas para garantir remuneração. Esperar o mercado nem sempre é a melhor opção e pode deixar o produtor de fora”, diz o gestor.

“Mas o que se olha nesse momento é a questão dos insumos que são importados da Rússia”, explica Bruno. “O Brasil tem procurado fechar parcerias com outros países. É importante que a gente faça isso, porque a falta desses fertilizantes pode impactar o custo de produção da agropecuária. Em última análise, impacta também no custo de produção da pecuária de corte.”

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