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STF dá até 30 de abril para conciliação sobre Moratória da Soja

STF dá até 30 de abril para conciliação sobre Moratória da SojaEntidades apontam papel do acordo na redução do desmatamento. Foto: Divulgação/STF

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O Supremo Tribunal Federal (STF) fixou prazo até 30 de abril para que as partes apresentem propostas de conciliação nas ações que discutem a Moratória da Soja. O processo, em fase de conciliação, tem potencial de influenciar diretamente as regras de mercado da commodity no Brasil e as exigências ambientais impostas aos produtores.

A definição do prazo ocorreu após a primeira audiência realizada nesta quarta-feira, 16, no Núcleo de Solução Consensual de Conflitos (Nusol). Conforme publicação da CNN Agro, o encontro, com cerca de três horas de duração, serviu para que os envolvidos apresentassem seus principais argumentos. As tratativas seguem sob sigilo.

A audiência também evidenciou um dos pontos mais sensíveis do debate: a possibilidade de pedidos de indenização por parte de agentes econômicos que alegam perdas com a adoção da Moratória ao longo dos anos.

Por outro lado, entidades ambientais defendem que o acordo teve papel relevante na redução do desmatamento e na consolidação de compromissos socioambientais na cadeia da soja.

O que está em disputa

Apesar do cenário de divergência, o encontro reforçou que qualquer proposta precisará preservar compromissos ambientais já consolidados. Foi o que apontou o coordenador de litigância estratégica do WWF-Brasil, Danilo Farias, ao defender que eventuais ajustes não esvaziem a essência do acordo.

“O acordo pode, sim, sofrer aperfeiçoamento, refinamento, mas a sua validade é evidente. Em 20 anos de vigência da moratória da soja, muitos foram os ganhos para a minimização do desmatamento no cenário nacional”, disse.

Lauro Rodrigues de Moraes Rêgo Júnior, Advogado do Partido Verde, afirmou que a discussão vai além da própria moratória e envolve diretamente a agenda ambiental no país. De acordo com ele, a atuação dos partidos no processo deve se limitar à defesa de interesses públicos ligados ao meio ambiente.

“Então, existe uma questão de controle de desmatamento e de grilagem de terra, preservação da biodiversidade, dos interesses dos povos originários, das áreas de preservação permanente, da reserva legal e do próprio Cadastro Ambiental Rural”, afirmou.

A CNN entrou em contato com outras partes do processo, mas não obteve resposta.

Próximos passos

Com o prazo até 30 de abril, o processo entra agora em uma fase de apresentação formal de propostas. A expectativa é que, após a análise dessas contribuições, o STF marque novas audiências, possivelmente entre o início e meados de maio.

O núcleo de conciliação tem prazo inicial de até 90 dias para buscar um acordo, podendo ser prorrogado. Caso não haja consenso, o tema deve retornar ao plenário do Supremo para julgamento.

 

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