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Brasil aposta em sustentabilidade para ampliar exportações de carne

Brasil aposta em sustentabilidade para ampliar exportações de carneFoto: Imazon

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Resumo:

  • O Brasil deve ampliar em mais de 50% as exportações de carne bovina na próxima década, passando de 4,53 milhões para 7,09 milhões de TEC até 2035, e consolidar a posição de maior fornecedor mundial da proteína.
  • Para aproveitar a oportunidade, o setor aposta menos na expansão da pecuária e mais em produtividade, rastreabilidade, sustentabilidade e abertura de mercados.
  • A União Europeia avança no Regulamento para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR), que passa a exigir comprovação de que a carne não vem de área desmatada. A rastreabilidade vira requisito para acessar um dos mercados mais exigentes do mundo.
  • A China, maior compradora do Brasil, começa a atribuir valor econômico aos atributos socioambientais: importadores manifestaram interesse em pagar prêmio de até 10% por carne certificada como livre de desmatamento.
  • Em 2025, as exportações responderam por 36,7% da produção nacional, o maior percentual da série histórica.

 

Por André Garcia

O Brasil deve ampliar em mais de 50% as exportações de carne bovina na próxima década e consolidar sua posição como principal fornecedor mundial da proteína. Para aproveitar essa oportunidade, porém, o setor aposta menos na expansão da pecuária e mais em produtividade, rastreabilidade, sustentabilidade e abertura de mercados.

A estimativa faz parte do Beef Report 2026, da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), que projeta que as exportações brasileiras passarão de 4,53 milhões para 7,09 milhões de toneladas equivalente carcaça (TEC) até 2035, alta de 56,5%. No mesmo período, a produção deverá crescer cerca de 23%, alcançando 15,18 milhões de TEC.

Entre os principais destinos da carne brasileira, a União Europeia avança na implementação do Regulamento para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR), que exigirá a comprovação de que produtos como a carne bovina não estejam associados ao desmatamento após dezembro de 2020. Na prática, a rastreabilidade passa a ser requisito para acessar um dos mercados mais exigentes do mundo.

Já a China, maior compradora da carne bovina brasileira, também começa a atribuir valor econômico aos atributos socioambientais. Neste ano, importadores chineses manifestaram interesse em pagar prêmio de até 10% por carne certificada como livre de desmatamento, sinalizando que sustentabilidade e transparência da cadeia tendem a ganhar peso também na formação do preço do produto.

Exportar mais exige produzir melhor

Embora o mercado interno continue absorvendo a maior parte da carne produzida no País, as exportações vêm ganhando espaço. Em 2025, elas responderam por 36,7% da produção nacional, o maior percentual da série histórica. Esse movimento ajuda a explicar por que as exigências dos compradores internacionais passam a influenciar cada vez mais a estratégia da pecuária brasileira.

Mesmo considerando uma acomodação da produção em 2026, o Beef Report avalia que o Brasil reúne as melhores condições para responder ao aumento da demanda mundial por carne bovina, sustentado pelos ganhos de produtividade, competitividade e abertura de novos mercados.

“O Beef Report mostra que a pecuária brasileira vive um dos momentos mais importantes da sua história. Os números comprovam que é possível produzir mais, com mais eficiência, sustentabilidade e competitividade. Essa evolução consolidou o Brasil como maior produtor e exportador mundial de carne bovina e nos coloca em uma posição privilegiada para atender à crescente demanda global por proteína de qualidade”, destaca o presidente da Abiec, Roberto Perosa.

Competir além do volume

O próprio Beef Report indica que a próxima etapa da competitividade brasileira passa por temas como rastreabilidade, sustentabilidade e abertura de mercados. Segundo o documento, esses fatores serão determinantes para acessar nichos de maior valor agregado e ampliar a presença da carne brasileira no exterior.

Essa mudança acompanha o peso crescente do mercado internacional. Em 2025, o Brasil exportou 3,5 milhões de toneladas de carne bovina para 177 destinos, com faturamento próximo de US$ 18 bilhões. A combinação entre capacidade de oferta, eficiência produtiva e conformidade socioambiental é apontada pela Abiec como um dos principais diferenciais do país diante da concorrência internacional.

Produzir mais, sem abrir novas áreas

O relatório sustenta que esse crescimento deverá ocorrer sem depender da expansão das áreas de pecuária. O aumento da produtividade por hectare, aliado ao melhoramento genético, à recuperação de pastagens, ao manejo e à intensificação dos sistemas produtivos, permitiu elevar a produção reduzindo a necessidade de incorporar novas áreas.

Essa transformação é apontada como um dos principais diferenciais do Brasil diante de concorrentes que enfrentam redução estrutural dos rebanhos ou limitações para ampliar a produção.

O estudo de descarbonização incorporado ao Beef Report estima que a modernização da pecuária poderá reduzir em pelo menos 79,9% a intensidade das emissões por quilo de carne até 2050. Em um cenário que combina desmatamento zero, adoção das tecnologias previstas no Plano ABC+, redução da idade de abate e uso de aditivos para mitigação do metano, essa redução poderá alcançar 92,6%.

Para a Abiec, a capacidade de produzir mais carne com menor impacto ambiental tende a se consolidar como um dos principais diferenciais competitivos do Brasil na disputa pelos mercados internacionais ao longo da próxima década.

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