Resumo:
- A produção de algodão deve cair 1,5% por causa de secas, associadas ao El Niño, mesmo com os agricultores plantando em uma área 4,4% maior motivados pelos bons preços, segundo a StoneX
- Produtividade média deve recuar de 1,96 para 1,85 tonelada por hectare.
- Mato Grosso segue líder e vai aumentar sua área de plantio em 75 mil hectares.
- As exportações devem cair 7,6%, mas o Brasil continuará sendo o maior exportador do mundo.
- A safra 2025/26 (atual) deve fechar com produção recorde de 3,88 milhões de toneladas.
Por André Garcia
A produção brasileira de algodão deve cair 1,5% na safra 2026/27, para 3,828 milhões de toneladas, mesmo com um avanço de 4,4% na área plantada, projetou a StoneX. A consultoria atribui o recuo a eventuais secas associadas ao El Niño, que devem reduzir a produtividade das lavouras em 5,6%.
“A possibilidade de seca em regiões produtoras de algodão deve reduzir a produtividade das lavouras, justamente no ano em que a cultura ganha espaço no campo, porque os preços estimularam os produtores”, afirmou o jornalista especializado em agronegócio Cassiano Ribeiro no podcast da CBN Agro.
Pelas contas da StoneX, a produtividade média nacional deve recuar de 1,96 tonelada por hectare para 1,85 tonelada por hectare. A área de plantio, por outro lado, deve avançar 4,4%, chegando a 2,086 milhões de hectares — movimento sustentado pela alta das cotações internacionais da pluma.
Somente Mato Grosso, maior produtor do país, deve acrescentar cerca de 75 mil hectares, alcançando 1,45 milhão de hectares no próximo ciclo.
Exportações devem recuar
Com oferta menor e estoques de passagem reduzidos, a StoneX projeta queda de 7,6% nos embarques brasileiros, para 3,05 milhões de toneladas.
Ainda assim, o volume seria o segundo maior já exportado pelo país, atrás apenas do ciclo 2025/26, mantendo o Brasil na liderança global do comércio da fibra.
Safra atual foi revisada para cima
Para o ciclo 2025/26, praticamente encerrado, o movimento foi o inverso. A consultoria elevou suas projeções de produção em Mato Grosso e na Bahia, após condições climáticas favoráveis ao longo de todo o ciclo — “graças ao bom desenvolvimento das lavouras”, nas palavras do jornalista.
A produção total da temporada deve alcançar 3,884 milhões de toneladas, com exportações de 3,3 milhões de toneladas.
A relação entre estoque e uso, por outro lado, deve subir de 63,2% em 2025/26 para 68,2% em 2026/27, reflexo de um escoamento menor no próximo ciclo.
Saiba mais
Por que o El Niño preocupa o produtor – O El Niño é o aquecimento anômalo das águas do Pacífico equatorial, que altera a circulação atmosférica e redistribui as chuvas no planeta. O Centro de Previsão Climática da NOAA mantém alerta para o fenômeno, com condições que devem se fortalecer até o fim do ano e 97% de probabilidade de persistirem até o início de 2027 — justamente a janela de plantio e desenvolvimento da safra 2026/27. Os principais centros internacionais vêm reforçando o cenário de um evento de intensidade excepcional, que pode figurar entre os mais fortes já registrados.
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