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El Niño forte eleva risco de pragas no algodão

El Niño forte eleva risco de pragas no algodãoO ciclo de vida do inseto varia de 18 a 33 dias. Foto: CNA

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Resumo:

  •  A probabilidade de um evento muito forte é superior a 90%, segundo análises apresentadas no 15º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA), em Belo Horizonte (MG).
  • Chuvas abaixo da média no Centro-Norte e ondas de calor mais frequentes aumentam o risco de explosão populacional de mosca-branca e pulgão no algodão. Em Mato Grosso, maior produtor da pluma, há risco de veranicos durante a floração e o enchimento das estruturas.
  • O calor encurtou o ciclo de vida da mosca-branca, que varia de 18 a 33 dias. A praga tem cerca de 600 plantas hospedeiras, segundo Eliane Quintela, da Embrapa Arroz e Feijão, e a soja plantada antes do algodão está entre as culturas que a favorecem.
  • Em monitoramentos apresentados pela Embrapa, mosca-branca e pulgão chegaram a superar as ocorrências de bicudo e lagartas. Segundo o entomologista Eduardo Barros, a presença dessas pragas independe do bicudo.
  • O manejo recomendado combina inseticidas contra adultos e ninfas com controle biológico pelo fungo Cordyceps javanica. A combinação reduz a pressão de seleção causada pelo uso repetido dos mesmos mecanismos de ação.
  • As sugadoras estão entre as principais causas de pegajosidade da fibra, contaminante que compromete a qualidade dos fios. Para anos de El Niño, os pesquisadores recomendam intensificar o monitoramento e antecipar o manejo.

 

Por André Garcia

A safra de algodão 2026/27 deve ocorrer sob El Niño forte, com chuvas abaixo da média no Centro-Norte do País e maior frequência de ondas de calor. Para os produtores, isso significa maior risco de explosão populacional de mosca-branca e pulgão, pragas favorecidas por temperaturas elevadas, veranicos e estiagem.

O alerta foi feito durante o 15º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA), realizado na última semana, em Belo Horizonte (MG). As análises consideram a probabilidade superior a 90% de um El Niño muito forte.

Em Mato Grosso, maior produtor da pluma no Brasil, há risco de veranicos durante a floração e o enchimento das estruturas da planta.

Ciclo mais curto

A mosca-branca tem cerca de 600 plantas hospedeiras e está associada a danos em mais de 40 culturas, segundo Eliane Quintela, pesquisadora da Embrapa Arroz e Feijão. O ciclo de vida do inseto varia de 18 a 33 dias.

“O aumento da temperatura ocasionado pelas mudanças climáticas provocou uma diminuição no ciclo de vida da mosca-branca. Ou seja, elas se reproduzem em menos tempo”, afirmou.

A pesquisadora apontou a soja como uma das principais culturas que favorecem a reprodução da praga, o que afeta áreas onde o algodão é plantado em sequência à soja. Plantas daninhas e tigueras também servem de hospedeiras entre um cultivo e outro.

Além do calor e da estiagem, desequilíbrios nutricionais, como adubações nitrogenadas excessivas, favorecem a mosca-branca. O inseto suga a seiva e provoca a formação de fumagina nas folhas. O pulgão, além dos danos pela sucção, pode transmitir ao algodoeiro uma virose considerada atípica, principalmente quando a infestação ocorre nas fases iniciais da cultura.

Sugadoras superam bicudo em monitoramentos

Em levantamentos apresentados pela Embrapa, mosca-branca e pulgão têm aparecido com frequência nas áreas de produção e, em alguns monitoramentos, superaram as ocorrências de bicudo e lagartas. Segundo o entomologista Eduardo Barros, a presença dessas pragas não depende da do bicudo, inclusive em áreas onde o algodão passou a ser cultivado recentemente.

“O bicudo, presente ou não nas áreas novas de cultivo de algodão, não tem influência nas populações de pragas sugadoras”, afirmou.

Adultos e ninfas

A principal dificuldade no controle da mosca-branca está nas ninfas. Elas ficam imóveis e aderidas às folhas, protegidas por secreções cerosas, com pouca área do corpo exposta aos produtos. A eficiência do inseticida depende do ingrediente ativo, da potência, da dose e da capacidade de atingir o alvo por ação translaminar.

Para adultos, os pesquisadores citaram neonicotinoides e diafentiuron. Para ninfas, produtos com ação ninficida, como o piriproxifem, cetoenóis e diamidas. “Sempre devemos aplicar inseticidas que controlem adultos e ninfas”, afirmou Quintela.

A pesquisadora também indicou o controle biológico com o fungo Cordyceps javanica.

“O controle prolongado da mosca-branca é com a utilização de fungos”, disse. Segundo ela, combinar ferramentas reduz a pressão de seleção causada pelo uso repetido dos mesmos mecanismos de ação.

Reflexo na fibra

As pragas sugadoras também afetam a qualidade do algodão colhido. Mosca-branca e pulgão estão entre as principais causas de pegajosidade da fibra, um dos contaminantes que comprometem a qualidade dos fios. Há equipamentos que medem o índice de pegajosidade antes do processamento.

Para anos de El Niño, a recomendação dos pesquisadores é intensificar o monitoramento e antecipar as medidas de manejo antes que as populações atinjam níveis elevados.

 

Pragas sugadoras – São insetos com aparelho bucal adaptado para perfurar os tecidos da planta e sugar a seiva. No algodão, as principais são a mosca-branca (Bemisia tabaci) e o pulgão-do-algodoeiro (Aphis gossypii). Percevejos também integram o grupo. Os danos são diretos e indiretos. A retirada contínua de seiva enfraquece a planta, reduz o crescimento e, no caso do pulgão, provoca o enrugamento das folhas. Os insetos também excretam uma substância açucarada, conhecida como mela.

 

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