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Práticas regenerativas miram 10 milhões de créditos de carbono

Práticas regenerativas miram 10 milhões de créditos de carbonoÁrea de pastagens degradadas ampliam potencial do país. Foto: Agência Brasil

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Resumo:

  • O Brasil tem 20 projetos de carbono agrícola e manejo do solo registrados ou em desenvolvimento na Verra, com potencial estimado de mais de 10 milhões de créditos por ano, segundo o RaboResearch, área de pesquisa do Rabobank.
  • Até 1º de setembro, um desses projetos havia sido registrado e emitido créditos, e sete estavam em pipeline aprovado, segundo o levantamento.
  • O programa SARA, que reúne mais de 130 fazendas na Argentina, no Chile e no Paraguai, emitiu 210 mil créditos em fevereiro de 2026 e vendeu mais de um quarto deles por cerca de US$ 1,2 milhão, média de US$ 21,80 por tonelada de CO₂ equivalente.
  • Dados da Embrapa citados pelo relatório indicam 28 milhões de hectares (ha) de pastagens com algum nível de degradação que poderiam ser recuperados com práticas regenerativas.
  • A ICC Brasil e a WayCarbon estimam que o consumo nacional de créditos pode crescer até 530% até 2030, mas as regras do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) para registro e transferência internacional ainda estão em definição, segundo o RaboResearch.

 

Por André Garcia

O mercado de carbono vem avançando como possibilidade de receita para produtores que adotam práticas de agricultura regenerativa no Brasil. Somente na plataforma Verra, onde o País tem 20 projetos registrados ou em desenvolvimento, o potencial estimado é de mais de 10 milhões de créditos de carbono por ano.

Os números fazem parte de levantamento da Rabobank publicado na última semana e mostram como os créditos podem ajudar a financiar mudanças no manejo das propriedades, principalmente em áreas de pastagens degradadas e em sistemas que incorporam práticas como plantio direto e integração entre lavoura e pecuária (ILP).

Dos 20 projetos brasileiros na Verra, apenas um havia sido registrado e emitido créditos até 1º de setembro. Sete estavam em pipeline aprovado, enquanto os demais se encontravam em etapas de solicitação, validação e registro.

“Devido à dimensão de seu setor agrícola e à vasta área apta para a adoção de práticas regenerativas, o Brasil tem potencial para se tornar um dos principais mercados de créditos de carbono no solo do mundo”, aponta trecho do relatório.

Primeiros projetos já geram receita

Embora a maior parte das iniciativas brasileiras ainda esteja em desenvolvimento, projetos na América do Sul já chegaram à etapa de emissão e comercialização. O Programa de Agricultura Regenerativa da América do Sul (SARA), desenvolvido pela Ruuts e pela Anthesis, emitiu em fevereiro de 2026 seus primeiros 210 mil créditos, referentes ao período de monitoramento de 2019 a 2023.

Mais de um quarto dos créditos já havia sido comercializado, gerando aproximadamente US$ 1,2 milhão em receitas, a um preço médio de cerca de US$ 21,80 por tonelada de CO₂ equivalente. O programa reúne mais de 130 fazendas na Argentina, no Chile e no Paraguai, em uma área de 150 mil hectares.

Esse valor não corresponde integralmente à receita do produtor. Depois da emissão e comercialização dos créditos, o produtor recebe uma parcela definida em contrato e precisa manter as práticas previstas no projeto. Ou seja, a remuneração também está ligada à capacidade de medir, verificar e manter os resultados ao longo do tempo.

Pastagens abrem espaço para novos projetos

É aí que a agropecuária brasileira amplia o potencial desse mercado. Segundo dados da Embrapa citados pelo relatório, o país possui cerca de 177 milhões de hectares de pastagens, dos quais aproximadamente 28 milhões apresentam algum nível de degradação e poderiam ser recuperados com práticas regenerativas.

“Nas áreas degradadas a restauração da saúde do solo aumenta a produtividade de alimentos e fibras, diminuindo a necessidade de expansão da fronteira agropecuária sobre ecossistemas nativos”, reforça o Rabobank.

A recuperação dessas áreas aparece entre as possibilidades de expansão dos projetos de carbono no país. O relatório cita o ReTerra, parceria entre o Rabobank Brasil, a Ruuts by Ovis 21 e o Anthesis Group, que pretende levar práticas como integração lavoura-pecuária e pastejo regenerativo adaptativo a pelo menos 350 mil hectares nos próximos cinco anos.

Outro exemplo é a parceria entre a AMAGGI e a NaturAll Carbon, que terá início em aproximadamente 25 mil hectares em Rondônia. O projeto prevê a recuperação de pastagens degradadas e mudanças no manejo de áreas agrícolas convencionais, com práticas como plantio direto, rotação de culturas, culturas de cobertura e maior uso de insumos biológicos.

Demanda pode acelerar o mercado

A expansão desses projetos depende, porém, de haver compradores para os créditos. O RaboResearch aponta que os preços e a demanda podem variar conforme as condições do mercado, enquanto a evolução das metodologias de certificação tende a aumentar as exigências sobre a qualidade dos créditos.

No Brasil, outro fator será a implementação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE). As regras para registro dos créditos, reconhecimento dentro do mercado regulado e eventual transferência internacional ainda estavam em definição na data do relatório.

A perspectiva de aumento da demanda aparece em uma estimativa da ICC Brasil e da WayCarbon citada pelo RaboResearch. O estudo aponta que o consumo nacional de créditos pode crescer até 530% até 2030, chegando a cerca de 85 milhões de toneladas de CO₂ equivalente por ano.

Saiba mais

O que é a Verra? A Verra é uma organização sem fins lucrativos sediada em Washington, nos Estados Unidos, que administra um dos maiores programas de certificação do mercado voluntário de carbono. Ela aprova as metodologias usadas para medir reduções e remoções de gases de efeito estufa, registra os projetos e emite os créditos depois que os resultados são conferidos por auditores independentes. Cada crédito equivale a 1 tonelada de CO₂ equivalente reduzida ou removida da atmosfera.

 

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