Por André Garcia
A combinação de genética adequada, manejo intensivo de pastagens e integração lavoura-pecuária (ILP) pode triplicar a eficiência das vacas leiteiras em Mato Grosso, além de ajudar o estado a recuperar a competitividade no setor, que registrou queda de 41% na produção nos últimos 10 anos.
Em estudo da Embrapa Agrossilvipastoril a estratégia resultou em receita média de R$ 23,8 mil por hectare ao ano apenas com a venda de leite, valor superior ao registrado em atividades como pecuária de corte, soja ou milho. O experimento foi conduzido em área de 12,5 hectares com 30 vacas.
“A receita é significativa. E ainda é possível ampliar com venda de bezerros e de vacas de descarte. Fazendo um bom manejo e administrando os custos de produção, a pecuária leiteira pode ser muito atrativa em Mato Grosso”, afirma o pesquisador Luciano Lopes, que conduz os trabalhos.
Genética adaptada
Nos primeiros 12 meses de avaliação de vacas girolando 5/8, a produção média obtida no experimento foi de 14 litros/dia por animal em lactação. O número é quase o triplo da média do estado.
“Nosso rebanho conta com mais ou menos 40 vacas em lactação. Temos vacas com média diária de 26 litros”, afirma
O rebanho usado na Embrapa vem sendo melhorado ao longo dos últimos anos. O objetivo é formar um plantel somente com girolando 5/8, que tem um bom equilíbrio entre a produtividade do Holandês e a rusticidade e tolerância ao calor do Gir. Porém ainda há animais mestiços, com meio sangue ou ¾.
Manejo de pasto
Além da genética, o bom manejo da pastagem é fator fundamental para o resultado. O experimento é conduzido em pasto com BRS Quênia, uma cultivar híbrida de Panicum maximum de alta produtividade e de boa qualidade. A suplementação é de 5 kg por animal/dia de concentrado proteico e na seca é usada a silagem de milho como volumoso.
A pesquisa com pecuária leiteira desenvolvida na Embrapa Agrossilvipastoril conta com parceria com a Cooperativa Agropecuária Mista Terranova (Coopernova) e com a prefeitura de Sinop. Parte dos bezerros machos são repassados para cooperados da Coopernova, que os utilizam como touros para melhoria de seus rebanhos.
Outra parcela dos machos tem sido usada na própria Embrapa em outra pesquisa conduzida em parceria com a UFMT. Machos mestiços estão sendo engordados em área de integração lavoura-pecuária (ILP) com consórcios forrageiros cultivados após a lavoura de soja. Resultados preliminares mostram ganho de peso diário de até 1,2kg.
“Isso mostra que podemos ter fazendas de dupla aptidão. Ou seja, o produtor tem a pecuária de leite como principal atividade, porém ele consegue aproveitar os bezerros machos para o corte, com boa produtividade”, afirma Luciano Lopes.
Avaliação do sistema
A pesquisa em andamento na Embrapa Agrossilvipastoril tem duração de três anos e vai até o fim de 2027. O objetivo é avaliar o desempenho das vacas girolando 5/8 em sistema produtivo a pasto a pleno sol e em silvipastoril, ou integração pecuária-floresta (IPF). No primeiro ano, a média de produtividade anual não apresentou variação entre os sistemas, mas ainda é cedo para tirar conclusões.
“Estamos coletando dados e ainda não temos como avaliar outros fatores fisiológicos, como bioquímica, hematologia, temperatura de pele, temperatura retal, proteína de choque. Todas essas respostas fisiológicas podem não interferir na produtividade, mas podem ter efeitos na reprodução, por exemplo”, pontua o pesquisador.
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