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Integração lavoura-pecuária garante ocupação de gado acima da média

Integração lavoura-pecuária garante ocupação de gado acima da médiaIntegração e manejo de pastagem são fundamentais. Foto: Gabriel Faria/Embrapa

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Com base na adoção da integração lavoura-pecuária (ILP) e na maior oferta de forragem durante o período seco do ano, o chamado Sistema Pontal garantiu a inversão da estação de monta e aumentou a produtividade da pecuária de corte na Fazenda Pontal, em Nova Guarita (675 km de Cuiabá). Hoje a taxa de lotação de até três unidades animal por hectare (UA/ha), enquanto a média brasileira é de cerca de 0,5 UA/ha.

Segundo os produtores José Leandro Olivi Peres e seu pai José Peres, a fazenda trabalha hoje com ciclo semi-completo. Ou seja, os bezerros desmamados são encaminhados para a recria, ficam nas pastagens de ILP até junho e são terminados em confinamento. As fêmeas nelore são inseminadas com 14 meses e com 22 meses já estão com bezerro ao pé. Já as novilhas angus, destinadas ao mercado gourmet, são abatidas com 16 a 17 meses.

“Estamos trabalhando com quase três UA/ha, uma taxa de prenhez de quase 82% no fechamento geral de todas as categorias, desde precoce primípara, primípara normal e multípara. Estamos produzindo quase 18,5 arrobas anuais por hectare na fazenda”, celebra Leandro.

Implantado pela Embrapa em conjunto com a JP Agropecuária, o Sistema Pontal é sustentado por três pilares, sendo o primeiro deles a própria integração lavoura-pecuária. O segundo,  diz respeito ao manejo de pastagens, que possibilita maior taxa de lotação no período chuvoso, e o terceiro é a estação de monta invertida, que viabiliza o nascimento de bezerros na seca.

Crédito: Embrapa

Técnica fundamental

Neste contexto, uma técnica é fundamental: a integração lavoura-pecuária. No caso da Fazenda Pontal a lavoura começou a ser utilizada para recuperar pastagens ainda em 2002. Pouco depois, adotou-se o Sistema Santa Fé para consorciar milho com braquiária na reforma dos pastos. A melhoria da qualidade da forragem trouxe a preocupação com o melhor aproveitamento do alimento e com a busca por maior produtividade.

Outra ponto importante é o manejo de pastagem. Com apoio de pesquisadores da Embrapa Agrossilvipastoril (MT), os produtores José Leandro Olivi Peres e seu pai José Peres passaram a utilizar forrageiras mais modernas, como as cultivares BRS Paiaguás, BRS Piatã e Xaraés, obtendo maior produção de forragem e também melhora na produção de soja, graças à palhada de melhor qualidade.

O uso do resíduo da adubação da lavoura passou a beneficiar o capim, gerando um ciclo produtivo virtuoso dentro da propriedade, possibilitando o aumento da taxa de lotação.

“Nós percebemos que quanto mais tecnologia a gente introduzia na propriedade, desde maquinário, mão de obra e insumos, conseguíamos aumentar a produção. A gente colocou quase que uma propriedade em cima de outra”, afirma José Leandro Olivi Peres.

De acordo com a Embrapa, 50% da área produtiva da fazenda com soja na safra, todo o rebanho fica nos 50% restantes. A partir de março, com os novos pastos formados após a colheita da soja, 100% da área produtiva passa a ser ocupada pela pecuária, com um novo pico de produção de forragem.

Estação de monta invertida

Com bons pastos na estação seca, o uso da integração lavoura-pecuária resolveu boa parte do maior gargalo da pecuária no Centro-Oeste brasileiro, que é a falta de forragem no inverno. Isso possibilitou a inversão da estação de monta, ou seja, a inseminação artificial das novilhas deixou de ser feita de outubro a dezembro e passou a ocorrer entre julho e setembro. Com isso, os bezerros passam a nascer entre março e julho e são desmamados no período chuvoso.

“Você tem uma pecuária mais rápida, de ciclo curto. Vai fazer IATF [inseminação artificial em tempo fixo] e não pega um curral com barro. Pega o curral seco, com uma sanidade mais interessante de se trabalhar. O bezerro nasce e com quatro  a cinco meses já pega a chuva. E ele vai ser abatido no próprio ano da desmama”, explica o produtor rural.

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