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Seca e calor de 40°C ameaçam a 2ª safra no Centro-Oeste

Seca e calor de 40°C ameaçam a 2ª safra no Centro-OesteParte das áreas foi semeada fora da janela ideal. Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil

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Por André Garcia

A segunda safra no Centro-Oeste entra em fase de maior risco com a previsão de redução das chuvas a partir da segunda quinzena de abril. O cenário coincide com o avanço de culturas como milho, feijão e algodão para estágios mais sensíveis à falta de água, o que pode comprometer o desenvolvimento e o potencial produtivo das lavouras.

De acordo com boletim do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a tendência é de pancadas isoladas e mal distribuídas nos próximos dias, o que limita a reposição de umidade no solo. Após um início favorecido por chuvas mais regulares, os volumes começam a cair na região, marcando a transição para o período seco.

Esse cenário ocorre em um momento crítico para as lavouras. Parte das áreas foi semeada fora da janela ideal, após atrasos provocados por excesso de chuva no início do ciclo, o que aumenta a exposição das culturas a condições adversas nesta fase.

Com a consolidação do período seco nas próximas semanas, o desempenho da segunda safra passa a depender cada vez mais da umidade do solo e da capacidade das lavouras de suportar o estresse térmico e hídrico.

No milho, a falta de água pode reduzir a área foliar e prejudicar a polinização, afetando a formação de espigas e o número de grãos. No feijão, o impacto varia conforme o estágio de desenvolvimento, podendo causar abortamento de flores e menor formação de vagens.

No algodão, a redução antecipada das chuvas limita a emissão de ramos produtivos e de botões florais, reduzindo o número de maçãs por planta.

“Esse quadro reforça a necessidade de atenção no planejamento das atividades agrícolas na região, recomendando-se o acompanhamento contínuo das atualizações meteorológicas, bem como o monitoramento das condições de umidade do solo”, ressalta o Instituto.

Calor e chuvas irregulares

No Centro-Oeste, a semana será marcada por tempo predominantemente estável. A exceção fica para o norte de Mato Grosso, onde ainda podem ocorrer chuvas de até 40 mm. Em Goiás, Mato Grosso do Sul e no Distrito Federal, as chuvas devem ocorrer de forma rápida e irregular, com baixos volumes.

Além da redução das chuvas, as temperaturas seguem elevadas em toda a região. As máximas podem se aproximar de 40 °C na divisa entre Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Nas demais áreas, os termômetros devem variar entre 30 °C e 32 °C, enquanto as mínimas permanecem altas, chegando a 28 °C em alguns pontos, o que intensifica a perda de umidade do solo.

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