Resumo
- Sob a influência de um El Niño muito forte (com o Pacífico até 3 °C acima da média, segundo a NOAA), o maior desafio para a safra 2026/27 em MT, norte de MS e Matopiba será a má distribuição das chuvas, e não a falta total de água.
- No plantio (agosto a outubro), há risco elevado de veranicos prolongados. Precipitações isoladas podem induzir ao início antecipado da semeadura, mas o retorno do tempo seco e quente ameaça o germinar e o desenvolvimento inicial das plantas.
- No encerramento do ciclo, o aquecimento do Atlântico no Nordeste deve trazer chuvas acima da média, dificultando o tráfego das colheitadeiras e aumentando os custos com secagem e armazenagem dos grãos.
- Segundo especialistas, a frequência das chuvas e a duração dos períodos secos serão mais determinantes para o sucesso da lavoura do que o volume pluviométrico total acumulado.
O planejamento da próxima safra de verão em Mato Grosso, no norte de Mato Grosso do Sul e no Matopiba exigirá cautela redobrada dos produtores. Sob a influência de um El Niño classificado como muito forte, segundo dados do Centro de Previsão Climática (CPC) da Administração Atmosférica e Oceânica Nacional dos Estados Unidos (NOAA) divulgados nesta semana – com o Oceano Pacífico até 3 °C acima da média -, a principal ameaça para o ciclo 2026/27 não será a escassez total de água, mas a forte irregularidade das precipitações.
“Muito cuidado porque vai ter chuva, mas também vai ter veranicos prolongados, com cortes nas chuvas em Mato Grosso, norte de Mato Grosso do Sul e no Matopiba em agosto, setembro e outubro”, disse Ronaldo Coutinho do Prado, da Climaterra, ao Presente Rural.
O ciclo produtivo dessas regiões, segundo ele, deve ser marcado por dois momentos bem distintos
- Início do plantio (Agosto a Outubro): O risco principal está nos veranicos prolongados. Chuvas isoladas podem criar a falsa impressão de que a estação seca terminou, induzindo o início da semeadura. No entanto, o corte posterior das precipitações e o retorno de dias secos e quentes podem comprometer a emergência e o estabelecimento inicial das lavouras.
- Fase de colheita: O cenário tende a se inverter no final do ciclo devido ao aquecimento das águas do Atlântico na costa do Nordeste. O fenômeno deve favorecer chuvas acima da média justamente durante o recolhimento dos grãos, trazendo dificuldades operacionais para o tráfego de máquinas no campo e elevando os custos com secagem e armazenagem.
Diante desse panorama projetado pelo Centro de Previsão Climática (CPC) dos EUA, o volume total acumulado de chuva importará menos do que a frequência e a duração dos períodos secos.
O sucesso da safra dependerá diretamente da precisão na escolha da janela de plantio e da gestão dos riscos climáticos ao longo de todo o ciclo.
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