O mundo pode estar prestes a enfrentar o El Niño mais intenso dos últimos tempos. Segundo Paul Roundy, professor de ciências atmosféricas da Universidade Estadual de Nova York em Albany, há um risco real de um fenômeno excepcionalmente forte entre o fim de 2026 e o início de 2027, com potencial para superar o recorde histórico de 2015.
Em entrevista ao jornal “The Washington Post”, Roundy alertou que, se o cenário se confirmar, as águas do Pacífico podem ultrapassar a marca de 2,8°C acima da média, disparando secas severas em partes das Américas, África Central, Austrália e Sudeste Asiático.
A análise veio após o alerta feito pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) na última sexta-feira, 24/4. A agência vinculada à ONU indicou “um provável retorno das condições do El Niño já entre maio e julho”, com intensificação progressiva ao longo do segundo semestre.
“Após um período de condições neutras, os modelos climáticos estão agora fortemente alinhados, e há grande confiança no início do fenômeno”, declarou Wilfran Moufouma Okia, chefe de previsão climática da OMM.
O El Niño se caracteriza pelo aquecimento anormal e prolongado das águas do Pacífico Equatorial, alterando a circulação atmosférica e interferindo nos regimes de temperatura e chuva em escala global.
No Brasil, os efeitos devem ser sentidos de forma distinta conforme a região. O fenômeno tende a mexer no regime de chuvas a elevar as temperaturas no Centro-Oeste e Sudeste, enquanto no Sul a previsão é de um aumento significativo nas precipitações. Já o Norte e Nordeste enfrentam o risco de secas severas, especialmente na faixa norte dessas regiões.
Especialistas ponderam que a gravidade desses impactos dependerá da força final que o evento atingirá e de sua interação com outros sistemas atmosféricos globais. Para o trimestre entre maio e julho, a OMM projeta temperaturas acima da média histórica em quase todo o globo, com tempo mais seco na América do Sul, Austrália, Indonésia e sul da Ásia.
LEIA MAIS:
O que esperar do clima no Centro-Oeste com a volta do El Niño
Como o Super El Niño e a guerra podem travar o agronegócio

