HomeEconomia

Soja sustentável rende R$ 6 milhões em bônus a produtores de MT

Soja sustentável rende R$ 6 milhões em bônus a produtores de MTGeisa Carvalho Riedi produz soja sustentável. Foto: CAT Sorriso

Mato Grosso tem 35 municípios na lista dos 100 mais ricos do agronegócio brasileiro
No Dia Mundial do Algodão, setor celebra posição de destaque da pluma brasileira
Recuperação de área comprometida por desmate químico é improvável

Os produtores rurais vinculados à associação Clube Amigos da Terra (CAT Sorriso) receberão aproximadamente R$ 6 milhões em bônus pela comercialização de créditos de soja sustentável da safra 2024/2025.

O pagamento é fruto da certificação internacional da Round Table on Responsible Soy (RTRS), que atesta o cumprimento de 108 exigências rigorosas, incluindo legislação ambiental, direitos trabalhistas, preservação de áreas sensíveis, uso responsável de insumos e rastreabilidade total da produção.

Cada tonelada de soja certificada gera um crédito, comercializado globalmente por meio da plataforma da RTRS e adquirido por empresas interessadas em cadeias sustentáveis.

Na última safra, os associados produziram 686 mil toneladas de soja responsável, cujos créditos foram adquiridos por empresas da Holanda e da Argentina. Segundo a coordenadora do CAT Sorriso, Cristina Delicato, o prêmio financeiro é uma resposta direta do mercado externo.

“Essa bonificação vem diretamente do mercado. O produtor certificado acessa compradores que valorizam a soja responsável e pagam um prêmio adicional pela produção certificada”, explica Cristina.

Investimento no bem-estar social

Diferente de outros incentivos, parte expressiva dos recursos obtidos com os créditos RTRS é aplicada na melhoria das condições de trabalho dentro das propriedades. Nas fazendas São José (Sorriso) e Buriti (Peixoto de Azevedo), o bônus já tem destino certo.

“Vamos investir em melhorias no alojamento, na cantina, em uniformes novos e aquisições que beneficiem os colaboradores”, afirma a produtora Geisa Carvalho Riedi.

Certificada desde 2022, Geisa destaca que o selo vai além da parte financeira.

“A certificação gera confiança, do colaborador ao comprador. Para os funcionários, representa a certeza de um ambiente de trabalho seguro e alinhado à legislação.”

Ela complementa ainda que o processo reflete em uma gestão mais eficiente e organizada.

Expansão da certificação e suporte técnico

O modelo de produção sustentável tem ganhado escala em Mato Grosso. Em dez anos, o número de fazendas certificadas pelo CAT Sorriso saltou de 9 para 53. Esse crescimento é sustentado por um suporte técnico contínuo que envolve consultoria e organização documental.

A gestora de certificação do CAT, Júlia Ferreira, explica que o acompanhamento é permanente e detalhado.

“Auxiliamos os produtores a comprovarem todas as boas práticas adotadas nas fazendas, além de atender aos demais critérios exigidos”, diz. Ela ressalta que a rotina necessita de registros minuciosos: “A rotina da fazenda é dinâmica e exige anotação de tudo que é feito, desde o monitoramento de pragas, doenças, ervas daninhas, aplicações, a ficha é bem extensa.”

Agricultura regenerativa e baixo carbono

Além da certificação, as propriedades do grupo têm avançado na agricultura regenerativa e de baixo carbono. Práticas como o plantio direto e sistemas agroflorestais são utilizadas para melhorar a saúde do solo, reter água e sequestrar carbono.

Para a presidente do CAT Sorriso, Márcia Becker Paiva, o grupo prova a viabilidade do modelo sustentável:

“Nossos associados mostram que é possível produzir em diferentes escalas, desde pequenas, médias ou grandes, com respeito ao meio ambiente e às normas brasileiras.”

Cristina Delicato reforça que esse manejo torna o sistema mais resiliente frente às mudanças climáticas, e a meta da associação é clara.

“Queremos crescer cada vez mais, reunindo produtores que compartilham desse mesmo compromisso com a sustentabilidade.”

LEIA MAIS:

Falta de rastreio de carne e soja ameaça vendas à Europa

Falta de padrão em soja livre de desmate gera confusão no mercado