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Bioinsumos crescem mais de 30% ao ano no Brasil

Bioinsumos crescem mais de 30% ao ano no BrasilBioinsumos podem aproveitar base científica para ampliar a produção. Foto: Mapa

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Resumo:

  • O mercado brasileiro de biodefensivos movimentou cerca de R$ 5,3 bilhões na safra 2025/26, com produtos aplicados em 107 milhões de hectares.
  • Os produtos de base biológica ainda representam cerca de 6% dos gastos com defensivos e inoculantes, mas a área tratada com biológicos cresceu mais de 30% ao ano nas últimas cinco safras.
  • Na soja, mais de 58 milhões de hectares já recebem algum tratamento com bioinsumos; no controle de nematoides, os biológicos estão em mais de 80% da área tratada.
  • Na Copercitrus, as vendas de bioinsumos cresceram 37,5% no último ano e avançam acima de 30% ao ano, embora ainda representem apenas 3% dos negócios da cooperativa com insumos.
  • O avanço do setor depende do desenvolvimento de novas cepas e formulações, aumento da capacidade industrial, pesquisa do microbioma e definição de regras para propriedade intelectual e produção on-farm.

 

Por André Garcia

O mercado brasileiro de bioinsumos movimentou cerca de R$ 5,3 bilhões somente com biodefensivos na safra 2025/26, alcançando 107 milhões de hectares tratados. Apesar do avanço, os produtos de base biológica ainda representam cerca de 6% dos gastos com defensivos e inoculantes no país, indicando espaço para expansão principalmente em culturas como soja, milho e algodão.

Os dados foram apresentados durante o Fórum Bioinsumos no Agro, realizado nesta terça-feira (18), em São Paulo, e publicados pela Forbes. Levantamento da Kynetec mostra que, enquanto a área agrícola brasileira cresceu entre 3% e 4% ao ano nas últimas cinco safras, a área tratada com defensivos avançou 11% e aquela que recebeu produtos biológicos cresceu mais de 30%.

“Hoje temos por volta de 6% do movimentado em cima de produtos de base biológica”, afirmou Vitor Hugo Leite, coordenador de inteligência de mercado da Kynetec Brasil.

]A pesquisa considera soja, milho, cana-de-açúcar, algodão, café e hortifrúti e contabiliza produtos efetivamente aplicados nas lavouras, com base em entrevistas anuais com mais de 14 mil agricultores. Os números ainda não incluem produtos destinados à bionutrição.

A soja responde por aproximadamente metade do mercado analisado e já tem mais de 58 milhões de hectares com algum tratamento à base de bioinsumos. Isso corresponde a mais da metade da área da cultura. No controle de nematoides, mais de 80% da área tratada utiliza produtos biológicos.

Adoção avança no algodão e no milho

No algodão, os bioinsumos chegam a 80% da área, com destaque para o tratamento industrial de sementes com bionematicidas. No milho segunda safra, a expansão ocorreu rapidamente: em 2020, apenas 6% da área recebia manejo biológico. A disseminação da cigarrinha e do complexo de enfezamentos contribuiu para ampliar o uso dessas soluções em associação aos defensivos químicos.

Ainda há, porém, amplo mercado atendido principalmente por moléculas químicas. Na soja, isso ocorre no controle de ferrugem, manchas, percevejos e lagartas. Segundo Leite, anos mais quentes, ciclos mais curtos de pragas e problemas como mosca-branca, cigarrinha, mancha-alvo e plantas resistentes aumentam a demanda por ferramentas de controle.

A tendência apontada pelo setor é de crescimento do manejo integrado, combinando produtos químicos e biológicos de acordo com as necessidades das lavouras.

Além da aplicação no campo, a expansão dos bioinsumos passou a ser discutida sob a perspectiva da segurança produtiva e da capacidade brasileira de desenvolver tecnologias e reduzir vulnerabilidades externas.

Alberto Pfeiffer, coordenador do Grupo de Análise da Conjuntura Internacional da Universidade de São Paulo (USP), relaciona o avanço dos biológicos à preocupação crescente dos países com segurança nacional, domínio tecnológico e capacidade interna de produção.

“Esse saber é um recurso de poder tecnológico e produtivo”, afirmou.

Tecnologia pode reduzir dependência externa

O Brasil construiu conhecimento próprio em agricultura tropical ao longo de décadas de pesquisa, adaptação de cultivares e desenvolvimento de sistemas produtivos adequados às condições locais. Para Pfeiffer, os bioinsumos podem aproveitar essa base científica para ampliar a produção nacional de tecnologias e abrir novas fontes de matérias-primas, incluindo o cultivo de algas e recursos da plataforma oceânica brasileira.

A dependência de fertilizantes e moléculas agrícolas importadas aparece como um dos pontos sensíveis. O desenvolvimento de soluções biológicas para nutrição e proteção das lavouras amplia as alternativas disponíveis internamente, embora não elimine a necessidade de importações.

Outro ativo apontado pelo pesquisador são os dados produzidos pela agricultura tropical. Informações sobre produtos, ambientes, micro-organismos, culturas e sistemas produtivos podem ser utilizadas em pesquisas e no desenvolvimento de tecnologias baseadas em inteligência artificial.

“O dado é o cerne da fronteira tecnológica”, disse Pfeiffer.

Ele também defende maior participação brasileira na definição das regras internacionais para bioinsumos. O país integra cadeias agropecuárias sujeitas a exigências estabelecidas por mercados como União Europeia, Estados Unidos e China e, na avaliação do pesquisador, tem condições de participar da formulação desses padrões.

Saiba mais

O que são bioinsumos?  Bioinsumos são produtos desenvolvidos a partir de organismos vivos, micro-organismos, substâncias naturais ou seus derivados e utilizados na produção agropecuária. Na lavoura, podem atuar no controle de pragas e doenças, na nutrição das plantas e em outros processos relacionados ao desenvolvimento das culturas. Entre eles estão bioinseticidas, biofungicidas e bionematicidas. O uso pode ocorrer de forma integrada aos defensivos químicos e a outras práticas de manejo. No Brasil, a expansão desses produtos também tem impulsionado pesquisas sobre novos micro-organismos, microbiomas e formas de produção dentro das próprias fazendas.

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