HomeEcologia

Câmara aprova política de agroecologia; conheça 7 benefícios

Câmara aprova política de agroecologia; conheça 7 benefíciosRotação de culturas, policultura e cultivo consorciado estão entre as práticas beneficiadas. Foto: Embrapa

Adubação verde pode garantir economia de até 50% com fertilizantes
Adubação verde contribui para a agricultura sustentável e reduz CO2
Artigo: Os benefícios do uso de plantas de cobertura na agricultura

Resumo:

  •  Câmara aprovou a criação da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica, que busca incentivar sistemas agrícolas mais sustentáveis e resilientes.
  • Proposta estimula práticas voltadas à conservação do solo e à redução da dependência de insumos externos, como fertilizantes.
  • Rotação de culturas, adubação verde, proteção permanente do solo e métodos naturais de controle de pragas estão entre as práticas previstas.
  • Texto prevê instrumentos como crédito rural, seguro, pesquisa e inovação, além de apoio à instalação de unidades de bioinsumos para uso próprio.
  • Proposta ainda precisa passar pelo Senado antes de virar lei e também prevê estímulos à comercialização e certificação da produção agroecológica.

 

Por André Garcia

A redução da dependência de insumos externos, a conservação do solo e o uso de métodos naturais no controle de pragas estão entre os objetivos de uma nova política nacional aprovada pela Câmara dos Deputados nesta quarta-feira, 2/9. A proposta cria a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica e prevê incentivos à adoção dessas e de outras práticas no campo.

O texto ainda precisa passar pelo Senado antes de virar lei, mas indica o avanço de uma das principais estratégias para tornar o agro brasileiro mais preparado para enfrentar desafios como mudanças climáticas e oscilações nos custos de produção.

O Gigante 163 reuniu algumas das principais práticas previstas na nova política e os benefícios associados a elas. Confira:

1. Menos dependência de insumos externos

Adubação verde e orgânica, controle biológico e produção de bioinsumos podem reduzir a necessidade de produtos externos à propriedade. A estratégia ganha importância diante da dependência brasileira de fertilizantes importados e das oscilações de preços desses insumos.

2. Proteção e melhoria do solo

Cobertura vegetal, rotação de culturas, adubação verde e controle da erosão ajudam a conservar a estrutura do solo, reduzir perdas de nutrientes e melhorar o aproveitamento da água. A diversificação também favorece a ciclagem de nutrientes e a atividade biológica.

3. Controle natural de pragas e doenças

Métodos naturais de controle utilizam processos biológicos e organismos capazes de atuar sobre pragas e doenças. A diversificação das lavouras também pode favorecer inimigos naturais e reduzir a dependência exclusiva do controle químico.

4. Maior resistência às variações do clima

Cobertura do solo, diversificação e uso de variedades adaptadas às condições locais podem ajudar a produção a enfrentar períodos de seca, calor e outras adversidades. Manter o solo coberto, por exemplo, contribui para conservar umidade e reduzir sua exposição direta ao sol.

5. Rotação e diversificação das culturas

Rotação, policultura, consórcios e cultivo em faixas contribuem para a conservação do solo e o manejo de pragas e doenças. A diversificação também reduz a dependência de uma única cultura e os riscos associados a ela.

6. Produção própria de bioinsumos

Produzir bioinsumos dentro da propriedade amplia as alternativas de manejo e pode reduzir a dependência de produtos adquiridos externamente. A nova política prevê financiamento para instalação e ampliação de unidades de produção de bioinsumos para uso próprio.

7. Novos caminhos para comercialização

Mercados locais, feiras e circuitos curtos podem aproximar produtores dos consumidores e abrir novos canais para escoar a produção. A política também contempla compras públicas da agricultura familiar e mecanismos de garantia e sustentação de preços.

8. Outros incentivos

A política também prevê mecanismos para facilitar a adoção da agroecologia, com ações de ensino, pesquisa e inovação, além de crédito rural pelo Plano Safra, seguro da agricultura familiar, fundos públicos e medidas fiscais.

O texto ainda contempla financiamento de tecnologias de energia renovável no campo e um sistema participativo de certificação da produção agroecológica, voltado prioritariamente à agricultura familiar, povos e comunidades tradicionais e empreendimentos solidários.

 

SAIBA MAIS

Adubação verde – A adubação verde é uma prática que utiliza determinadas plantas para melhorar as condições do solo. Espécies como crotalária, braquiária e algumas leguminosas podem ser cultivadas para produzir biomassa, proteger a superfície e contribuir para a ciclagem de nutrientes. Dependendo da espécie utilizada, a técnica também pode auxiliar na fixação de nitrogênio, aumentar a matéria orgânica e ajudar no controle da erosão.

 

LEIA MAIS:

Casal encontra na agroecologia caminho para gerar renda

Agroecologia mostra caminho para resiliência climática

Plano Safra da Agricultura Familiar apoia agroecologia e energia limpa

Saiba o que é e como a agroecologia aumenta a renda do produtor

Agroecologia impulsiona produção de leite no Cerrado

Adubação verde é arma contra seca

Bioinsumos poupam até R$ 141 por ha na soja

Agroflorestas dobram estoque de carbono no solo do Cerrado

Embrapa apresenta 163 medidas para gestão de riscos climáticos

Manejo e diversificação “blindam” pasto durante El Niño