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Mercado de bioinsumos deve crescer até 10% em volume em 2026

Mercado de bioinsumos deve crescer até 10% em volume em 2026Expectativa é de recuperação do ritmo de compras. Foto: CropLife

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Resumo:

  • O mercado brasileiro de bioinsumos deve fechar 2026 com crescimento de 5% a 7% em valor de vendas e de cerca de 10% em volume sobre 2025, segundo projeção da Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos (ANPII Bio).
  • No primeiro semestre, o volume vendido cresceu 7% e o valor ficou estável, o que a entidade atribui à pressão sobre os preços dos insumos e ao adiamento das compras para perto do plantio da safra de verão.
  • A projeção atual é menor que a apresentada em março, no 3º Workshop de Inteligência de Mercado da ANPII Bio, quando as empresas associadas estimavam crescimento de 17% em 2026.
  • Biodefensivos com mais de uma classe de uso e inoculantes com mais de um microrganismo passaram de 16% do valor das vendas em 2025 para 22% no primeiro trimestre de 2026, segundo a ANPII Bio.
  • Metade das 30 empresas acompanhadas pela entidade atua hoje com inoculantes e com defensivos biológicos, contra 26% em 2022.
  • O decreto que regulamenta a Lei dos Bioinsumos (Lei nº 15.070/2024), sancionada em dezembro de 2024, ainda não foi publicado.

 

Por André Garcia

O mercado brasileiro de bioinsumos deve encerrar 2026 com crescimento de 5% a 7% em valor de vendas e de cerca de 10% em volume na comparação com 2025, segundo projeção da Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos (ANPII Bio).

No primeiro semestre, o volume vendido cresceu 7%, mas o valor de vendas ficou estável, o que a entidade atribui à pressão sobre os preços dos insumos e ao adiamento das compras pelos produtores para perto do plantio da safra de verão.

Diante disso, a diretora de operações da ANPII Bio, Larissa Bonotto, afirma que a expectativa é de recuperação do ritmo de compras no segundo semestre.

“O crescimento em volume mostra que a adoção dos bioinsumos continua avançando, mesmo em um ambiente mais desafiador. Por outro lado, a diferença entre volume e valor evidencia a pressão sobre os preços médios, uma dinâmica que a indústria já vem acompanhando nos últimos anos”, disse ela em nota divulgada pela entidade.

A estimativa para o ano, porém, é mais baixa que a apresentada em março, durante o 3º Workshop de Inteligência de Mercado da entidade. Na ocasião, as empresas associadas projetavam crescimento de 17% em 2026, na comparação com o ano anterior.

Os dados são da Plataforma de Inteligência de Mercado da ANPII Bio, operada pela consultoria 5P2R Marketing de Precisão. A base tem série histórica iniciada em 2009 e, em 2026, reúne informações de 30 empresas.

Empresas diversificam atuação no mercado

Os dados indicam uma diversificação dos bioinsumos. Biodefensivos com mais de uma classe de uso, como nematicidas-fungicidas e acaricidas-inseticidas biológicos, e inoculantes que combinam mais de uma espécie de microrganismo passaram de 16% do valor das vendas em 2025 para 22% no primeiro trimestre de 2026.

A mudança também aparece na atuação das empresas: metade das 30 analisadas pela ANPII Bio já trabalha tanto com inoculantes quanto com defensivos biológicos. Em 2022, essa parcela era de 26%.

“Essa mudança no mix é um dos sinais de amadurecimento do mercado. As empresas estão ampliando seus portfólios e incorporando tecnologias com diferentes funcionalidades e combinações de microrganismos”, avaliou Anderson Nora Ribeiro, sócio-fundador da 5P2R Marketing de Precisão, em nota divulgada pela ANPII Bio.

Setor ainda espera o decreto

A Lei dos Bioinsumos (Lei nº 15.070/2024) foi sancionada em dezembro de 2024 e está na etapa final de regulamentação, mas o decreto ainda não foi publicado. A expectativa do setor é que ele saia nas próximas semanas. Na sequência, devem começar as discussões sobre portarias e outros atos necessários para definir a aplicação da lei.

“A regulamentação poderá contribuir para dar mais segurança e previsibilidade aos investimentos e ao desenvolvimento de novas soluções. O próximo desafio será transformar esse marco em regras aplicáveis, equilibradas e compatíveis com as características dos produtos biológicos”, pontuou Larissa Bonotto.

Saiba mais

Lei dos Bioinsumos – A Lei nº 15.070/2024, sancionada em 23 de dezembro de 2024, é o primeiro marco legal brasileiro dedicado exclusivamente aos bioinsumos. Ela define regras próprias para pesquisa, produção, uso, rotulagem e comercialização desses produtos. Até então, os biológicos de controle de pragas eram enquadrados na regulamentação dos agrotóxicos. A lei dispensa de registro a produção para uso próprio na fazenda, desde que não seja comercializada, e exige registro de biofábricas, importadores, exportadores e comerciantes.

 

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