Resumo
- O Ministério da Agricultura oficializou um grupo de trabalho com a Embrapa e o Inmet para monitorar e mitigar os impactos do El Niño na safra 2026/27.
- A assinatura ocorreu em Brasília durante o lançamento do Plano Safra 2026/2027 voltado para a agricultura empresarial.
- O comitê terá a missão de identificar quais regiões e cadeias produtivas brasileiras estão mais vulneráveis ao fenômeno climático.
- Graças a novos investimentos federais, o Inmet substituiu suas antigas estações meteorológicas analógicas por digitais, gerando previsões mais precisas.
- O primeiro boletim do Inmet aponta seca e calor extremo no segundo semestre, o que eleva o risco de incêndios e pode atrasar o plantio da soja, prejudicando também a safrinha de milho e algodão.
Durante o lançamento do Plano Safra 2026/2027 da agricultura empresarial, nesta terça-feira, 30/6, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, assinou uma portaria que cria um grupo de trabalho especial para avaliar e monitorar os impactos do El Niño sobre a agropecuária brasileira.
O comitê técnico — composto pelo Ministério da Agricultura, pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e pela Embrapa — terá a missão específica de mapear as regiões e as cadeias produtivas mais vulneráveis no país.
A partir desse diagnóstico, o grupo deverá propor medidas concretas de adaptação, mitigação e proteção ao produtor rural. Na prática, a equipe antecipou os trabalhos e realizou sua primeira reunião na semana passada.
Durante o anúncio, o ministro ressaltou que o governo federal ampliou os investimentos voltados à Embrapa e ao Inmet, permitindo um avanço tecnológico crucial para o monitoramento do clima.
“Substituímos as estações meteorológicas de analógicas para digitais, o que será especialmente importante no momento em que o agro brasileiro se prepara para sentir os efeitos do El Niño”, afirmou André de Paula.
O risco do El Niño no Centro-Oeste
A modernização dos sistemas ganha urgência diante do primeiro boletim do Inmet para o trimestre de julho, agosto e setembro. A previsão indica alta probabilidade de temperaturas acima da média e chuvas escassas no centro-norte do país, acendendo um sinal de alerta severo para o agronegócio do Centro-Oeste.
A combinação de calor forte e baixa umidade nos próximos meses aumenta drasticamente o potencial para queimadas e incêndios florestais na região, ameaçando áreas de pastagem e lavouras. Além disso, o risco de atraso ou irregularidade nas chuvas da primavera pode comprometer a janela ideal de plantio da soja.
Esse atraso gera um efeito cascata preocupante: reduz o potencial de produtividade da oleaginosa e encurta o prazo para o cultivo da safrinha subsequente (como o milho e o algodão), elevando o risco de quebras financeiras para os produtores locais.
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