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Restaurar cabeceiras do Pantanal rende até R$ 8 por real investido

Restaurar cabeceiras do Pantanal rende até R$ 8 por real investidoCabeceiras são a região onde nascem os rios que formam o Pantanal. Foto: SOS Pantanal

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Resumo:

  • Iniciativas de restauração da vegetação nativa e de agropecuária responsável alcançaram 60 mil hectares (ha) nas Cabeceiras do Pantanal entre 2022 e 2026, com cerca de R$ 14,5 milhões coinvestidos, segundo balanço apresentado na COP17 da Biodiversidade.
  • Em Porto Esperidião (MT), cada R$ 1 investido em restauração e boas práticas agropecuárias pode render de R$ 6 a R$ 7,6 em custos evitados, segundo estudo feito com a colaboração de laboratórios da UnB e da UFMS.
  • Restaurar um hectare custa de R$ 20 mil a R$ 32 mil, e a adoção de boas práticas agropecuárias, cerca de R$ 8,5 mil por hectare, de acordo com os valores usados no estudo.
  • Em teste de campo em Bonito (MS), uma área com pastagem integrada ao baru perdeu 59% menos solo que uma área com solo exposto.
  • As bacias do Jauru (MT) e do Taquari (MS) têm tendência de queda de chuva e de vazão desde 1986, segundo artigo de pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB).

 

Iniciativas de restauração da vegetação nativa e de agropecuária responsável alcançaram 60 mil hectares (ha) nas Cabeceiras do Pantanal, entre Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, de 2022 a 2026. O trabalho beneficiou mais de 4 mil pessoas e mobilizou cerca de R$ 14,5 milhões em co-investimentos.

Os números foram apresentados durante a 17ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP17), em Yerevan, na Armênia.

As Cabeceiras são a região de planalto onde nascem os rios que formam o Pantanal e respondem por cerca de 80% da água e dos sedimentos que chegam à planície. Na região, 58% da paisagem já foi convertida para outros usos e 67% das pastagens estão degradadas.

Retorno chega a R$ 7,6 em MT

Um estudo feito com a colaboração dos laboratórios Hidrobase, da Universidade de Brasília (UnB), e Hidrosed, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), em parceria com a Aegea, empresa de saneamento, calculou quanto se deixa de gastar quando se investe em restauração e em boas práticas agropecuárias, como recuperação de pastagens e sistemas de integração.

A conta considera custos evitados com tratamento de água, correção do solo, irrigação e oferta de água no período seco, projetados para cinco anos após a implantação.

Entre as microbacias analisadas, o melhor resultado no cenário com as áreas mais prioritárias ficou em Porto Esperidião, na sub-bacia do rio Jauru (MT). Com intervenção em 306 ha, cada R$ 1 investido retornaria de R$ 6 a R$ 7,6, dependendo do custo da restauração. Dos 24 cenários avaliados nas sub-bacias do Jauru e do Miranda (MS), 20 tiveram retorno maior que o investimento, com resultados que variaram de R$ 0,1 a R$ 8,2 por real aplicado.

O estudo usou custos de R$ 8,5 mil por hectare para boas práticas agropecuárias e de R$ 20 mil a R$ 30 mil por hectare para restauração. O valor menor vale para regiões com cadeia da restauração estruturada, com mudas, sementes e mão de obra disponíveis.

Intervenções em áreas contínuas custam menos e têm mais efeito sobre a qualidade da água do que ações espalhadas pela bacia.

Pastagem com baru segura o solo

Outro levantamento, feito em 2024 em quatro propriedades de Bonito (MS), comparou a perda de solo e de água em diferentes coberturas, com simuladores de chuva em pequenas parcelas. Em relação a uma área com solo exposto, uma área em restauração havia até três anos perdeu 79% menos solo e 43% menos água por escoamento.

O sistema integrado de pastagem e baru, árvore nativa do Cerrado, teve o segundo melhor resultado, com 59% menos perda de solo e 39% menos perda de água. As propriedades avaliadas participam do programa de pagamento por serviços ambientais em rios cênicos de Mato Grosso do Sul.

Chuva cai no Jauru e no Taquari

Pesquisadores da UnB analisaram as séries de chuva e vazão de 1986 a 2023 em artigo publicado na revista científica Water, em maio de 2025. As sub-bacias do Jauru (MT) e do Taquari (MS) mostraram tendência de queda nos dois indicadores, enquanto a do Miranda (MS) teve aumento discreto. A superfície de água do Pantanal encolheu 61% desde 1985, segundo o MapBiomas Água.

“Além de favorecer a biodiversidade, a recuperação da vegetação nativa nessa região contribui para manter o fluxo de água entre o planalto e a planície pantaneira e fortalecer sua resiliência às mudanças climáticas”, afirma Flávia Araújo, líder de restauração nas Cabeceiras do Pantanal do WWF-Brasil.

Para ampliar as ações, a Aliança pelas Cabeceiras do Pantanal, lançada em 2025, reúne a Aegea, a Arcos Dorados, a MBRF e o WWF-Brasil, autor do balanço dos 60 mil ha. A proposta é integrar a recuperação de pastagens degradadas à restauração da vegetação nativa e incorporar a conservação às decisões de investimento e de abastecimento das empresas.

“Nas Cabeceiras do Pantanal, planejar a recuperação da vegetação junto à conservação dos ambientes naturais ajuda a conectar habitats e proteger rios e nascentes que alimentam a planície pantaneira”, diz Taruhim Quadros, líder de restauração do WWF-Brasil.

Saiba mais

O que é a cadeia da restauração? É o conjunto de atividades e profissionais necessários para recuperar a vegetação nativa de uma área: coleta de sementes, produção de mudas em viveiros, preparo do solo, plantio, cercamento, manutenção e monitoramento. Quando essa cadeia está estruturada na região, com insumos de qualidade em quantidade suficiente, mão de obra treinada e conhecimento técnico disponível, o custo da restauração cai. No estudo feito nas Cabeceiras do Pantanal, a diferença foi de R$ 30 mil para R$ 20 mil por hectare.

 

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