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Boas práticas rendem R$ 2,3 milhões a grupo de produtores rurais

Boas práticas rendem R$ 2,3 milhões a grupo de produtores ruraisMercado absorveu mais de 400 mil créditos de sustentabilidade de soja. Foto: Aprosoja

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Resumo:

  • Produtores rurais receberam R$ 2,32 milhões em 2025 pela venda de créditos de sustentabilidade de soja, milho e couro, segundo o relatório de impacto da Produzindo Certo.
  • Foram comercializados 403.698 créditos de soja, 74.199 de couro e 39.265 de milho no ano, todos negociados diretamente com empresas compradoras.
  • No mesmo período, produtores captaram mais de R$ 100 milhões em operações financeiras verdes intermediadas pela empresa, valor muito superior ao pago em prêmio.
  • A Fazenda Monte Alegre Pindaíbas, em Rio Verde (GO), colheu 79,6 sacas de soja por hectare na safra 24/25 e negocia créditos com a Unilever a partir da certificação RTRS.
  • O consórcio de agricultura regenerativa Reg.IA reúne 38 fazendas e 37.615 hectares, e o prêmio de soja e milho só é pago quando há venda efetiva entre empresa parceira e produtor.

 

Por André Garcia

Regeneração, manejo e conformidade socioambiental colocaram R$ 2,32 milhões diretamente no bolso de um grupo de produtores rurais brasileiros no ano passado. O valor veio da venda de créditos de sustentabilidade de soja, milho e couro, pagos por empresas que precisam comprovar compra responsável em suas cadeias.

Os números estão no relatório de impacto 2025 da Produzindo Certo, plataforma de inteligência socioambiental que monitora 8,8 milhões de hectares (ha) e 10.836 propriedades rurais, e mostram como boas práticas deixam de ser custo para virar receita complementar.

No período, o mercado absorveu mais de 400 mil créditos de sustentabilidade de soja, 74 mil de couro e 39 mil de milho.

Quem paga são indústrias de alimentos, tradings e marcas de moda que assumiram metas de compra responsável e precisam comprovar a origem do que compram. Bunge, ADM, Cargill, Nestlé e Danone estão entre as que usam os dados da plataforma para acompanhar suas cadeias.

Produtividade + Bonificação

Em um cenário de margem apertada nos grãos e exigência crescente por rastreabilidade, quem já cumpre esses critérios garante uma segunda linha de faturamento. A Fazenda Monte Alegre Pindaíbas, em Rio Verde (GO), mostra como isso funciona na prática.

A propriedade tem dez anos de parceria com a empresa e conquistou a certificação RTRS para a produção de soja. Com o selo, passou a negociar créditos de sustentabilidade em projeto conjunto com a Unilever, o que gera retorno direto ao produtor e ajuda a multinacional a cumprir as próprias metas.

Os ganhos também aparecem na produtividade. Na safra 24/25, foram 79,6 sacas de soja por hectare (ha), o equivalente a 4.776 kg/ha – acima da média estadual, de 4.122 kg/ha, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). No milho, foram 154,9 sacas por hectare e 5.749,1 toneladas.

O Score Produzindo Certo da propriedade passou de 82,6, no diagnóstico de setembro de 2024, para 85,8 em agosto de 2025. O índice vai de 0 a 100 e resulta da média dos critérios ambientais, sociais e produtivos avaliados pela plataforma.

“A transição para uma agropecuária mais sustentável só será viável se também fizer sentido na rotina operacional e na realidade econômica do produtor rural”, apontam Aline Locks e Charton Locks, cofundadores da Produzindo Certo.

Dividindo a conta

Antes de vender qualquer crédito, o produtor precisa chegar ao padrão exigido. Adotar plantas de cobertura, rotação mais complexa ou proteção de nascentes exige investimento antes de qualquer retorno.

É nessa etapa que entram os consórcios de cadeia. O Reg.IA, criado pela Produzindo Certo em 2024, reúne empresas de insumos, seguradoras e indústrias que cofinanciam a transição nas propriedades participantes. Agrivalle, Bayer, BrasilSeg, GAPES, InPlanet, Milhão Ingredients, Mina Mercantil e Proforest estão no grupo.

Hoje o consórcio conta com 38 fazendas e 37.615 hectares. O produtor que entra recebe seguro regenerativo, desconto no Plano Safra, desconto no pó de rocha, análises de saúde do solo e de estoque de carbono e assistência técnica em agricultura regenerativa.

“Sustentabilidade no agro não será construída apenas por compromissos e metas, mas pela capacidade de implementação real em larga escala”, reforça trecho do relatório.

Financiamento verde

A venda de créditos não é a única fonte de receita aberta pela certificação. No mesmo ano, produtores captaram mais de R$ 100 milhões em operações financeiras verdes viabilizadas com apoio técnico da empresa. São linhas de crédito que exigem comprovação socioambiental para liberar o recurso.

Nesse arranjo, o diagnóstico da propriedade e o histórico de evidências funcionam como garantia técnica diante do banco. Ou seja, o  mesmo dado que sustenta a venda do crédito de sustentabilidade serve para destravar capital.

Saiba mais

Crédito de sustentabilidade – É um certificado que representa o atributo socioambiental de um volume de produção, e não o grão em si. O produtor certificado registra sua produção em um sistema de escrituração e vende o certificado a uma empresa que precisa comprovar compra responsável em sua cadeia. O grão físico segue o fluxo comercial normal, e o comprador do crédito não recebe o produto: paga pela comprovação de que aquele volume foi produzido dentro de um padrão verificado, como o RTRS, no caso da soja, ou o LIA, no caso do couro. É por isso que a receita do crédito é adicional à venda da safra e não substitui o preço do grão.

 

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