As principais culturas do agro brasileiro, a soja e o milho, sofreram impactos significativos devido às ondas de calor que atingiram o Brasil entre 2023 e 2024. De acordo com o relatório “Calor Extremo e Agricultura”, divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) e pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), as temperaturas extremas coincidiram com fases críticas de desenvolvimento agrícola no Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste.
Na soja, o calor acima de 30 °C em mais de 60% dos dias resultou em uma safra de 147,7 milhões de toneladas — uma quebra de quase 10% frente às expectativas iniciais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
O estresse térmico causou abortamento de flores e má formação de grãos, enquanto milho, feijão, cana-de-açúcar e outras safras enfrentaram aumento de pragas.
O levantamento revela que eventos de calor extremo, definidos por temperaturas diurnas e noturnas acima do habitual por longos períodos, já ameaçam a saúde e o sustento de mais de 1 bilhão de pessoas no mundo.
Impacto na pecuária
No Brasil, termômetros registrando 5 °C acima da média climatológica por vários meses pressionaram também a pecuária.
No Centro-Oeste, os suínos — conhecidos pela alta sensibilidade às altas temperaturas — sofreram com estresse térmico intenso durante 20 dias ou mais por mês na maior parte do biênio 2023–2024.
Esse calor excessivo faz com que os animais comam menos e demorem mais para ganhar peso, o que obriga o produtor a prolongar o ciclo de criação e arcar com custos mais elevados.
No caso do gado, houve uma queda na produção de leite que não pode ser recuperada. Além dos prejuízos imediatos, a exposição prolongada ao calor extremo causa danos fisiológicos duradouros e compromete a capacidade reprodutiva de ambas as espécies, gerando perdas econômicas definitivas para o setor.
Incêndios florestais
Além dos prejuízos diretos na agropecuária, que representa 8,4% do PIB nacional, o calor impulsionou incêndios florestais que devastaram uma área do tamanho da Itália.
O mesmo sistema climático que trouxe o calor extremo também foi responsável pelas chuvas catastróficas no Rio Grande do Sul em 2024. O estado, que produz mais de 70% do arroz nacional, teve uma queda de 3,6% na produtividade do grão devido às cheias.
O relatório da FAO e da OMM conclui que a frequência e intensidade desses eventos aumentaram muito no último meio século, gerando danos físicos e econômicos que muitas vezes se tornam permanentes para os produtores.

