Resumo:
- O baru (Dipteryx alata) entrou como Vulnerável na Lista Nacional Oficial de Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção, publicada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) em 28/10. A regra proíbe o corte da árvore nativa, mas mantém permitidos a coleta da castanha e o cultivo licenciado.
- A produção extrativista de baru somou 957,7 toneladas em 2024, alta de 22,6% sobre 2023, segundo a Pesquisa da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS/IBGE).
- A União Europeia liberou a castanha torrada em 2025. Em junho de 2026, a cooperativa mineira Copabase fez a primeira exportação direta ao bloco, remunerada 25% acima de outros mercados externos, segundo a própria cooperativa.
- O preço mínimo federal da amêndoa é de R$ 35,29/kg em 2026. No 1º trimestre, extrativistas receberam R$ 35,00/kg em Minas Gerais e R$ 50,00/kg em Mato Grosso do Sul, segundo a Conab.
- Em consórcio com café irrigado na Embrapa Cerrados, baruzeiros frutificaram com pouco mais de quatro anos. Na natureza, a espécie leva de sete a dez anos para produzir.
Por André Garcia
Fonte de renda para extrativistas do Cerrado e espécie em estudo para cultivo comercial e restauração de áreas degradadas, o baru (Dipteryx alata) entrou na Lista Nacional Oficial de Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção. A atualização foi publicada nesta quarta-feira, 28/10 pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).
A norma proíbe o corte do baruzeiro nativo, mas mantém permitida a coleta da castanha e exclui da restrição os plantios licenciados. A espécie entrou na categoria Vulnerável e não constava da lista anterior, de 2022.
Mercado externo se abre para a castanha
A produção de baru vem quase toda do extrativismo. Segundo a PEVS/IBGE, foram 957,7 toneladas em 2024, alta de 22,6% sobre 2023.
A União Europeia autorizou a venda da castanha torrada em junho de 2025. Um ano depois, a Cooperativa Regional de Base na Agricultura Familiar e Extrativismo (Copabase), de Minas Gerais, embarcou 200 quilos para a Áustria. A operação foi a primeira exportação direta da cooperativa ao bloco, que já vendia para Estados Unidos, Canadá e Dubai.
Segundo a Copabase, o lote europeu foi remunerado 25% acima do baru vendido a outros mercados externos, que pagam entre 18 e 20 euros por quilo. A cooperativa trabalha com cerca de 100 famílias extrativistas.
Em Mato Grosso do Sul, a ONG Ecoa e o Centro de Produção, Pesquisa e Capacitação do Cerrado (Ceppec) estruturaram a coleta em dez comunidades, com mais de 200 extrativistas. A safra de 2021 rendeu 68 toneladas de baru coletado, e a previsão para 2022 era de 90 toneladas.
Preço mínimo garante piso ao coletor
A amêndoa integra a Política de Garantia de Preços Mínimos para Produtos da Sociobiodiversidade (PGPM-Bio), com valor de R$ 35,29/kg em 2026. No 1º trimestre, o extrativista recebeu R$ 35,00/kg em Minas Gerais e R$ 50,00/kg em Mato Grosso do Sul.
A Conab acompanha preços também em Mato Grosso e Goiás, e calcula o custo de produção do baru em painéis em Poconé (MT) e Bom Jardim de Goiás (GO).
Fruto segue liberado, árvore não
As regras de uso das espécies listadas estão na Portaria MMA nº 443/2014, cujo anexo foi substituído pela nova lista, publicada como Portaria GM/MMA nº 1.783. O texto proíbe coleta, corte, transporte, beneficiamento e comercialização das espécies ameaçadas, com duas exceções.
A primeira exceção vale para exemplares cultivados em plantios licenciados por órgão ambiental. A segunda vale para frutos e sementes, desde que a coleta use técnicas que não ponham em risco a árvore e a espécie.
Para quem tem baruzeiros no pasto ou em áreas que pretende abrir, a árvore nativa passa a ter de ser mantida. A coleta segue como fonte de renda, e o plantio licenciado é o caminho para produzir em escala sem restrição.
Plantio encurta espera pela primeira safra
Na Embrapa Cerrados, em Brasília, o baru é testado desde 2022 em consórcio com café arábica irrigado. Com pouco mais de quatro anos, nove baruzeiros floresceram e começaram a produzir. Na natureza, a espécie leva de sete a dez anos.
Enquanto as árvores crescem, feijão, abacaxi e mandioca plantados entre as linhas de café geram receita. O feijão rendeu de 1,8 a 2,2 toneladas por hectare, e o café deu cerca de 40 sacas por hectare na primeira safra.
“O sistema LD foi pensado para obtenção de baru no longo prazo, café no médio prazo e culturas anuais e bianuais no curto prazo”, explica Tadeu Graciolli, pesquisador da Embrapa Cerrados, em material divulgado pela instituição.
O experimento ocupa 3.500 metros quadrados, e a Embrapa ainda não divulgou análise de custo e receita. A pesquisa também seleciona os clones de baru mais produtivos, para produção de mudas por enxertia e uso na recomposição de áreas desmatadas.
Saiba mais
O que é a PGPM-Bio? A Política de Garantia de Preços Mínimos para Produtos da Sociobiodiversidade é executada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e cobre 17 produtos extrativistas, entre eles baru, pequi, castanha-do-brasil, açaí e babaçu. Todo ano, o governo federal fixa um preço mínimo para cada produto e região. Quando o extrativista comprova, com nota fiscal, que vendeu abaixo desse valor, a Conab paga a diferença na forma de subvenção. Para isso, o coletor ou a cooperativa precisa estar cadastrado na Conab e ter registro como agricultor familiar.
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