Resumo
- Embora os fertilizantes estejam mais baratos para a safra 26/27, fatores econômicos e de mercado impedem que o produtor rural aproveite totalmente essa queda de braço nos preços.
- Os fertilizantes nitrogenados lideraram as baixas. A ureia acumulou queda de quase 50% após atingir o pico de 800 dólares por tonelada em abril.
- Ao contrário dos nitrogenados, os fertilizantes fosfatados (como o MAP) continuam caros. O motivo é a escassez global de enxofre.
- As taxas de juros elevadas no Brasil e nos EUA encarecem o crédito para financiar a lavoura. Além disso, o dólar forte encarece os insumos importados, apertando a rentabilidade do produtor.
- As compras brasileiras de MAP e ureia estão atrasadas em relação à média histórica. Com o prazo apertado para a safra de verão, o País terá que acelerar as importações, gerando um forte desafio logístico para garantir o abastecimento a tempo.
- A queda nos preços dos adubos melhorou a relação de troca, mas a StoneX alerta que o mercado já dá sinais de estabilização e possível reação de alta no curto prazo.
Por André Garcia
O produtor que prepara a safra 26/27 encontra um cenário de fertilizante mais barato, mas com um alívio menor do que parece. Segundo o relatório trimestral Perspectivas 2026, publicado pela StoneX na quarta-feira, 8/7, apesar da queda dos preços, fatores como a escassez de enxofre e os juros altos impedem que o benefício chegue por inteiro ao campo.
“O terceiro trimestre de 2026 tende a ser mais favorável para os compradores quando comparado ao ambiente de elevada incerteza e volatilidade observadas logo após o início do conflito no Oriente Médio. Ainda assim, permanecem importantes pontos de atenção”, afirma o analista Tomás Pernías.
A queda mais expressiva veio dos nitrogenados. Desde meados de abril, quando a ureia se aproximou de 800 dólares por tonelada, as cotações recuaram por nove semanas seguidas e acumularam baixa próxima de 50%. O movimento foi puxado pela desescalada no Oriente Médio e pela retomada das exportações de ureia pela China, que estavam suspensas.
Essa correção melhorou as relações de troca, indicador que mostra quantas sacas de grão o produtor precisa vender para comprar uma tonelada de fertilizante.
“A forte correção já absorveu grande parte dos fatores baixistas, e o mercado começa a incorporar fundamentos de alta no horizonte de curto prazo”, afirma Pernías.
Por que o alívio é frágil
A melhora não vale para todos os fertilizantes. Nos nitrogenados, o próprio tamanho da queda reduziu o espaço para novas baixas e criou risco de reversão. Nos fosfatados, como o MAP, a situação é mais rígida: a escassez global de enxofre, matéria-prima essencial para a produção, elevou os custos e limitou a oferta, o que segura os preços em patamares mais altos.
“A escassez de enxofre tende a tornar esse ajuste possivelmente mais gradual e um pouco mais incerto”, diz Pernías.
O dinheiro caro trava o benefício
Mesmo com o insumo mais barato, o custo do crédito mantém a pressão. O relatório destaca que as taxas de juros seguem elevadas no Brasil e nos Estados Unidos, o que encarece o financiamento da lavoura e mantém as margens apertadas. O dólar forte tem efeito parecido, ao encarecer o fertilizante importado.
“Embora o fim do conflito traga maior previsibilidade e reduza parte dos riscos de mercado, esse desfecho é incapaz de, isoladamente, trazer a normalização imediata das condições financeiras ou da rentabilidade no campo”, conclui Pernías.
Há ainda um ponto prático. Segundo a StoneX, as compras brasileiras de MAP e ureia estão abaixo da média histórica, o que exige acelerar as importações para recompor os estoques a tempo da safra de verão. Com a janela de compra cada vez mais apertada, a logística será decisiva para garantir o abastecimento.
Saiba mais
Como funciona a relação de troca – A relação de troca mede quantas sacas de um produto, como soja ou milho, o produtor precisa vender para comprar uma tonelada de fertilizante. Quando o preço do grão sobe ou o do fertilizante cai, a relação melhora e o insumo fica mais acessível. Quando ocorre o contrário, a compra fica mais cara em relação ao que se colhe. É um dos principais indicadores usados pelo produtor para decidir o momento de comprar adubo.
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